7 de dezembro – Ambrósio, Bispo de Milão, 397

ambrosio-de-milao7 de dezembro – Ambrósio, Bispo de Milão, 397

Ambrósio de Milão (340-397), conhecido como Santo Ambrósio, foi bispo de Milão, e é considerado um dos Doutores da Igreja. Foi ele quem ministrou o baptismo a Agostinho de Hipona.

Ambrósio era, na verdade, gaulês descendente de gregos como se pode inferir de seu nome e do de seu irmão, Urânio Sátiro. Nasceu em Tréveros, onde seu pai exercia alta função na administração do [Império Romano]]. Depois de residir em Roma por muito tempo, onde se encontrava entre as mais ricas e nobres famílias, seu pai foi posto por Constantino à frente da prefeitura da Gália.

Seu pai teria falecido logo após seu nascimento. Sua mãe, então, retornou a Roma com os três filhos: Marcelina, Sátiro e Ambrósio. Em Roma, recebeu a formação dos nobres romanos, estudando gramática, literatura grega e romana, retórica e direito. Não lhe faltaram ainda a frequência ao circo e ao teatro. Ao lado dessa formação, recebeu, também, educação religiosa, destinada aos catecúmenos, ministrada pelo sacerdote Simpliciano, futuro sucessor de Ambrósio na sede de Milão. A influência deste sacerdote sobre Ambrósio foi tão marcante que santo Agostinho o chamava de “pai do bispo Ambrósio, segundo a graça”.

Terminados os estudos, partiu para Sírmio, onde iniciou, com seu irmão; a carreira de advogado do tribunal da prefeitura. Sexto Petrônio Probo, prefeito do pretório, o nomeou, em 370, membro de seu conselho, e depois de alguns anos, consularis, isto é, governador da província da Emília e Ligúria, com sede em Milão. Na época, Milão era a segunda cidade da Itália, encruzilhada dos caminhos para a Gália e Constantinopla.

Com a morte do bispo Auxêncio, ariano, acirrou-se a disputa pela vaga entre arianos e católicos. Para assegurar a ordem na eleição, Ambrósio compareceu, pessoalmente, na qualidade de prefeito da polícia. Tinha, então, 40 anos. Agiu com tamanha eficácia, controlou os ânimos das facções com tanta moderação que os partidos opostos se uniram para elegê-lo bispo. Reconhecendo na unanimidade a vontade de Deus, Ambrósio aceitou o cargo, não depois de muitas tentativas de recusa. É ainda catecúmeno. Preparam-se as cerimônias do batismo. Na semana seguinte, recebeu as ordens e foi consagrado bispo a 7 de dezembro de 374.

Como bispo, evitou prudentemente as controvérsias dogmáticas. Sob orientação ainda de seu antigo preceptor, Simpliciano, mergulhou nos estudos das Sagradas Escrituras. Lia assiduamente os autores antigos e contemporâneos, especialmente os gregos. Procurou reformar, interiormente, o clero. Para isso escreveu, sob o modelo da obra homônima de Cícero, o Sobre o ofício dos ministros. Em pouco tempo, capacitou-se para a pregação a tal ponto que o próprio Agostinho se admirava de sua interpretação alegórica das Escrituras. Suas exposições sobre o valor da virgindade provocaram um movimento religioso em toda a Itália. Renunciou a seus bens em favor da Igreja e dos pobres, levando vida ascética exemplar. Ele mesmo preparava os catecúmenos para o batismo, iniciava-os nas celebrações pascais, na compreensão dos ritos. Consagrava-se dia e noite aos deveres de seu ministério.

Segundo o depoimento de Santo Agostinho: “Assim que cheguei a Milão, encontrei o bispo Ambrósio, conhecido no mundo inteiro como um dos melhores, e teu fiel servidor. Suas palavras ministravam constantemente ao povo a substância do teu trigo, a alegria do teu óleo e a embriaguez sóbria do teu vinho. (…) Comecei a estimá-lo, a princípio, não como mestre da verdade (…), mas como homem bondoso para comigo. Acompanhava assiduamente suas conversas com o povo, não com a intenção que deveria ter, mas para averiguar se sua eloquência merecia a fama de que gozava, se era superior ou inferior à sua reputação. Suas palavras me prendiam a atenção. (…) Eu me encantava com a suavidade de seu modo de discursar; era mais profundo, embora menos jocoso e agradável do que o de Fausto quanto à forma”. É especialmente a Ambrósio que Agostinho deve sua conversão e foi dele que recebeu o batismo.


Ambrósio e o Imperador Teodósio
Pela Páscoa de 381, o imperador transfere sua residência de Tréveros para Milão. A partir de então, desenvolve sempre mais estreita colaboração com Ambrósio. Por outro lado, seu campo de atividade se alarga cada vez mais, desdobrando-se pelo zelo por sua diocese, em numerosos contatos com bispos da Itália, fundando novas dioceses, ordenando novos bispos.

Sua autoridade moral é ilibada e reconhecida pelos inimigos. Por isso, seu desempenho nos relacionamentos políticos é cheio de êxito. Em todos os problemas, acaba sempre vencendo, impondo sua opinião. É assim no caso de sua vitória contra a imperatriz Justina e seu filho Valentiniano que queriam uma igreja para os cristãos arianos. Quando o imperador Teodósio ordena o massacre de Tessalônica, Ambrósio é o único que, numa conduta corajosa, fez frente recriminando a crueldade do imperador. Quando este, mesmo advertido por carta de Ambrósio, quis entrar na igreja acompanhado de sua corte, Ambrósio o impediu com autoridade e valentia: “Não ousaria, em sua presença, oferecer o sacrifício divino”. Como o imperador recalcitrasse e invocasse o exemplo de Davi, Ambrósio o recriminava publicamente e lhe perguntava se aquela boca que ordenara tão cruel massacre era digna de receber a hóstia sagrada. Convidava-o a imitar Davi não só no pecado, mas, também, na penitência, pois “o pecado só nos é tirado pelas lágrimas e pela penitência”. Na luta contra o paganismo, venceu o prefeito Símaco de Roma e o próprio senado romano que pleiteavam a reintrodução da estátua da deusa Vitória, na sala do senado.

Após a eleição do bispo de Pavia, Ambrósio retornou para Milão muito enfermo (fevereiro de 397). O que Ambrósio representava para a Itália, na época, pode ser compreendido na frase do general Sitilicão: “A morte de tão grande homem seria a ruína da Itália”, quando soube da grave enfermidade do bispo de Milão. Na sexta-feira santa, 4 de abril de 397, entra em agonia e morre na manhã do sábado santo, sendo sepultado junto aos mártires Gervásio e Potásio, cujos corpos tinham sido descobertos em 396. Antes de morrer, indicou Simpliciano como seu sucessor no episcopado de Milão: “É velho, mas é bom”, teria dito.

Obras
Sermões diversos.

Comentário aos 4 livros dos Reis

Tradução de Sobre a guerra judaica de Flávio Josefo.

Hexameron: uma obra em seis livros, celebrando a beleza da criação. Inspirada na obra de S. Basílio traz, inclusive, o mesmo título. Sua exegese é alegórica, em de- pendência direta da escola de Alexandria, especialmente de Orígenes. Sente-se ainda as influências das idéias estóicas.

Exposição do evangelho segundo Lucas (composta em 390): sua obra mais longa.

Cantos litúrgico utilizando o “metro ambrosiano” (oito estrofes de 4 linhas)

Obras dogmáticas: o imperador Graciano, ainda jovem, pediu a Ambrósio que o esclarecesse sobre a fé cristã. Seu tio Valentiniano era ariano. Queria ser esclarecido especialmente sobre o dogma da divindade do Verbo. Ambrósio responde-lhe por um tratado Sobre a fé para Graciano Augusto, em cinco livros. Em 381, escreveu um tratado sobre a Encarnação do Senhor, dirigido contra os arianos. No mesmo ano, enquanto se realizava o Concílio de Constantinopla, escreveu novamente a Graciano um tratado Sobre o Espírito Santo.

Inspirando-se na teologia grega, afirma a identidade da essência do Espírito Santo com o Pai e o Filho. Assim, embora não sendo teólogo, contribuiu para a teologia trinitária. Sua terminologia prepara as formas definitivas para Agostinho. Na cristologia, é o primeiro, no ocidente, que se opõe a Apolinário de Laodicéia. Sua terminologia sobre as duas naturezas perfeitas, unidas na pessoa divina de Cristo foram assumidas pelos Concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451).

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