25 de dezembro: NATAL

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Só existem conjeturas sobre a data do nascimento de Jesus, e liturgicamente não houve nenhuma celebração natalina durante os três primeiros séculos da era cristã. O certo é que no ano 336 aparece pela primeira vez a data de 25 de dezembro como a escolhida, substituindo em Roma a festa pagã do Sol Invicto, no solstício de inverno. Dessa forma os cristãos cultuavam o nascimento de Cristo, luz para a humanidade e para a criação toda, e afirmavam a autêntica fé no mistério da Encarnação. Daí que a festa serviu como mais um elemento de luta contra as heresias cristológicas dos séculos IV e V.
O Natal, teologicamente não só marca o fato histórico da vinda de Jesus, Filho de Deus, na carne, mas também enfatiza:
a) o mistério de salvação, indicando o valor salvífico do evento;
b) a Encarnação do Verbo –  os textos litúrgicos contêm expressões dogmáticos que esclarecem a fé nesse mistério;
c) o intercâmbio entre divindade e humanidade –  “Deus que se fez homem para que o homem se tornasse Deus” (Agostinho) e o Salvador através de seu nascimento nos regenerou como filhos de Deus;
d) o mistério pascal – o Filho de Deus assume a natureza humana para se oferecer ao Pai como oblação de uma vez para sempre (Hb 10.10);
e) o princípio da solidariedade entre todos os seres humanos, ao ser Jesus, como um de nós, Ele é nosso irmão;
f) o mistério da renovação do cosmos, reintegrando a criação toda ao desígnio original do Pai.

A quadra ou tempo de Natal se estende desde o entardecer do dia 24 de dezembro (que para os cristãos já é o dia 25) até o entardecer do dia 5 de janeiro, e nesse tempo são lembrados eventos vinculados à figura de Jesus: seu nascimento, a matança dos Santos Inocentes (no dia 28) e o Santo Nome (antiga festa da Circuncisão) no dia 10 de janeiro.
E interessante que no calendário civil, o dia 10 de janeiro serve para expressar a Fraternidade Universal, que é um dos valores expressos também na quadra cristã.
Um antigo costume do Natal é o presépio, representando plasticamente o evento por meio de desenhos ou de imagens da Santa Família, o estábulo, os animais, pastores, os Santos Reis, os anjos etc. A primeira representação desse tipo foi feita por Francisco de Assis, no ano de 1223 e desde então mantém-se até nossos dias.
O pinheiro natalino, todo enfeitado de luzes, teve origens no paganismo, mas Lutero, no século XVI, querendo mostrar às crianças como o céu estava iluminado naquela noite santa enfeitou com luzes um galho de pinheiro e o colocou do lado fora da casa. Esse evento marcou o começo de mais um costume.
A cor litúrgica tradicionalmente usada é o branco, cor festiva por excelência, ainda que atualmente esteja se começando a usar também a cor dourada.

Fonte: O Pão da Vida, Comentários ao Lecionário Anglicano, Ano A, 2007, pág. 374, 375 – Revdo. Enrique Illarze, liturgista