Category: Santos mês 12

22 de dezembro – Chico Mendes

dez 21 2020

22 de dezembro – Chico Mendes

Em 15 de dezembro de 1944, no seringal Porto Rico, na cidade de Xapuri, bem perto da fronteira do Acre com a Bolívia, nascia Francisco Alves Mendes Filho. Chico Mendes, como é conhecido, era filho de seringueiro e passou sua infância e juventude ao lado do pai praticando a profissão.

Ele aprendeu a ler somente no início da fase adulta, mas isso já era um feito, se comparado aos demais seringueiros de Xapuri, em sua maioria analfabetos. Chico Mendes era vizinho do refugiado político Euclides Fernandes Távora, que alfabetizou o jovem seringueiro e teve grande influência na vida dele.

Por ser mais instruído que os demais seringueiros, Chico Mendes passou a questionar os problemas que envolviam a região. A extração da borracha como atividade econômica na Amazônia sempre gerou conflitos, já que na maioria das vezes ela estava baseada em relações de grande exploração. Em muitos casos, funcionava por meio do sistema de troca de mercadorias industriais pelo produto extrativo, o aviamento, criando uma sociedade com miséria e endividamento constante.

Em seu meio de trabalho, havia um rígido regulamento de subordinação entre seringalistas e os donos dos seringais, castigando severamente aqueles que ousassem desrespeitar o sistema. Conflitos eram “abafados” pela violência de forças policiais.

No regime militar, a política implantada na região Amazônica gerou grandes conflitos fundiários no Acre, fazendo com que a situação fosse muito crítica na década de 1970. A substituição da borracha pela pecuária motivou a especulação fundiária e o desmatamento de grandes extensões de terras, impedindo a permanência dos seringueiros na floresta.

Sindicato e Ativismo

Diante desse cenário, surgiram os primeiros sindicatos de seringueiros no Acre, e Chico viu a necessidade de fazer algo para mudar a realidade dos seringais. Assim, em 1975, tornou-se membro da diretoria do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR) de Brasiléia, o primeiro criado no Acre, e que era presidido por Wilson Pinheiro.

Em 1976, Chico e demais seringueiros, sob a liderança de Pinheiro, reuniam suas famílias e iam para as áreas ameaçadas de desmatamento, onde desmontavam os acampamentos dos peões e paravam as motosserras. Esse ato de resistência era chamado de“empates às derrubadas”.

A liderança de Wilson Pinheiro incomodou latifundiários da região, que o assassinaram em 21 de julho de 1980. A morte de Wilson fez surgir um novo líder. Em 1983, Chico Mendes foi eleito presidente do STR de Xapuri e intensificou a luta pelos direitos dos seringueiros, além da defesa da floresta e a luta política contra a ditadura.

Luta ideológica e pelos direitos humanos

Chico é um dos maiores ícones da luta pela preservação da Amazônia.
O seringueiro tinha uma tese baseada em sua convivência e conhecimento da floresta e natureza, e que, mais tarde, realmente foi comprovada, que os benefícios derivados da manutenção da floresta são maiores do que o valor obtido com a sua derrubada.

Com essa ideologia formada pelo sindicalismo, pautada na defesa dos direitos humanos e pelo respeito à floresta, fizeram com que Chico Mendes fosse reconhecido como um líder político, conquistando respeito internacional.

Chico liderou a organização do 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, onde mais de 100 seringueiros criaram um Conselho Nacional, entidade representativa e que elaborou a proposta original de reforma agrária, com as Reservas Extrativistas.

Ameaças e morte
Mesmo conquistando o respeito internacional, Chico Mendes vivia sob ameaças de ruralistas. Os embates continuavam e geravam, inclusive, prisões, já que a regularização dos conflitos fundiários não era concretizada.

Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado quando ia ao banheiro nos fundos de sua casa. Ele foi morto com um tiro de escopeta no peito, na frente da esposa e dos dois filhos, aos 44 anos.

Chico Mendes foi assassinado por Darci Alves, a mando de seu pai, Darly Alves, um grileiro de terras com história de violência em vários lugares do Brasil. Sua morte repercutiu no mundo inteiro, causando grande indignação e revolta, refletindo também no Brasil, já que, até então, ele era ignorado pela imprensa brasileira.

A pressão da imprensa e da opinião pública fizeram Darly, Darci e um irmão do fazendeiro, Alvarino Alves da Silva (sua participação nunca foi comprovada), serem julgados por júri popular. Pai e filho foram condenados à prisão em 1990, com pena de 19 anos, fato considerado inédito na justiça rural no Brasil.

Darly e Darci fugiram da prisão em 1993 e só foram recapturados em 1996. Em 1999, Darly saiu do presídio para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar, por problemas de saúde, de acordo com alegações de seus advogados. Darci, no mesmo ano, ganhou o direito de cumprir o restante da pena em regime semiaberto.

Em 2013, já solto e vivendo em Xapuri, Darly concedeu uma entrevista na qual afirmou ser vítima de uma condenação injusta. “Quem falasse contra mim ganhava prêmio, então podiam mentir à vontade. Quando chegava alguém para me defender, o juiz batia o martelo e mandava me retirar da sala. Só queriam a minha condenação”. Darci cumpriu o regime semiaberto em Xapuri e depois mudou-se para Brasília. Atualmente, é pastor evangélico.

Genésio – a testemunha
Entre os depoimentos considerados como cruciais para a condenação dos grileiros está o de Genésio Ferreira da Silva. Na época com 13 anos, Genésio trabalhava na fazenda de Darly e ouviu todo o planejamento do crime.

Por causa de ameaças de morte, Genésio teve que se mudar de Xapuri e viu sua vida ser transformada depois da morte do líder dos seringueiros. Um documentário produzido em 2018, pela Amazônia Real, mostra a vida de Genésio antes e depois do assassinato de Chico Mendes.


Legado de Chico Mendes
No mesmo ano da morte de Chico Mendes, as primeiras reservas extrativistas foram criadas. O sonho de uma floresta valorizada, sem conflitos e com perspectiva de futuro aos filhos dos seringueiros e extrativistas, finalmente, foi realizado.

Pode-se afirmar que o principal legado de Chico Mendes são as Reservas Extrativistas, que representam a primeira iniciativa de conciliação entre proteção do meio ambiente e justiça social, antecipando o conceito de desenvolvimento sustentável que surgiu com a Rio 92.

Instituto Chico Mendes de Conservação Biodiversidade – ICMbio
Em 28 de agosto de 2007, pela Lei 11.516, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, uma autarquia em regime especial e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e que integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O Instituto executa as ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (UC), podendo propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as UCs instituídas pela União.

Cabe também ao órgão captar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das Unidades de Conservação federais.

Reconhecimento internacional
Em 1987 foi lançado o documentário “Eu Quero Viver”, que mostra a luta de Chico Mendes para proteger a floresta e os direitos dos trabalhadores. Produzido pelo cinegrafista inglês Adrian Cowell, ele foi divulgado internacionalmente.

Entre 1987 e 1988, Chico Mendes ganhou o Global 500, prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), na Inglaterra, e a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society, nos Estados Unidos, dando entrevistas aos principais jornais do mundo. Posteriormente, diante disso, jornalistas e pesquisadores o visitaram nos seringais e difundiram suas ideias pelo planeta.

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/chico-mendes.htm

13 de dezembro – Santa Luzia

dez 10 2020

13 de dezembro – Santa Luzia

O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa: Portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a “janela da alma”, canal de luz.

Ela nasceu em Siracusa (Itália) no fim do século III. Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe, chamada Eutícia, a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão.

Ao pedir um tempo para o discernimento e tendo a mãe gravemente enferma, Santa Luzia inspiradamente propôs à mãe que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da grave doença seria a confirmação do “não” para o casamento.

Milagrosamente, foi o que ocorreu logo com a chegada das romeiras e, assim, Santa Luzia voltou para Siracusa com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimentos pelos quais passaria, assim como Santa Águeda.

Santa Luzia vendeu tudo, deu aos pobres, e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Não querendo oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto, ela teve que enfrentar as autoridades perseguidoras. Quis o prefeito da cidade, Pascásio, levar à desonra a virgem cristã, mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, várias juntas de bois não foram capazes de a levar (Santa Luzia é muitas vezes representada com os sobreditos bois). As chamas do fogo também se mostravam impotentes diante dela, até que por fim a espada acabou com vida tão preciosa. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303.

Conta-se que antes de sua morte teriam arrancado os seus olhos, fato ou não, Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus – Luz do Mundo – até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: “Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade”.

Santa Luzia, rogai por nós! 

https: //santo.cancaonova.com/santo/santa-luzia-protetora-dos-olhos

10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos

dez 09 2020

10 de Dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos

O Dia Internacional dos Direitos Humanos é comemorado, desde o ano de 1950, em 10 de dezembro. Nessa data, celebra-se a oficialização da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU), fato que ocorreu em 1948.

Todos os anos uma temática específica é escolhida para ser abordada no Dia Internacional dos Direitos Humanos. A escolha dessas temáticas centra-se na divulgação dos Direitos Humanos e na necessidade de reivindicar os direitos ainda não garantidos pelo Estado e pela sociedade.

Em todo o mundo, diversas entidades relacionadas com os Direitos Humanos promovem, no dia 10 de dezembro, eventos culturais, passeatas, manifestações populares e exposições com a finalidade de informar os cidadãos a respeito da necessidade da garantia dos direitos fundamentais contidos na Declaração.

Além de um período de comemoração, a data serve essencialmente para recordar a necessidade de lutar por ações concretas dos Estados e da sociedade no sentido de garantir os direitos civis, políticos, sociais e ambientais de toda a população mundial, e não apenas de algumas nações e indivíduos privilegiados.

 

Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Abalados com as experiências das Guerras Mundiais anteriores, a Declaração Universal marcou a primeira ocasião em que os países chegaram a um acordo sobre uma declaração abrangente de direitos humanos inalienáveis.

A Declaração Universal principia reconhecendo que “a dignidade é inerente à pessoa humana e é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo”. Além disso, declara que os Direitos Humanos são universais independentemente de cor, raça, credo, orientação política, sexual ou religiosa.

A Declaração Universal inclui direitos civis e políticos, como o direito à vida, à liberdade, liberdade de expressão e privacidade. Ela também inclui os direitos econômicos, sociais e culturais, como o direito à segurança social, saúde e educação.

 

Publicado por: Amarolina Ribeiro

https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/10-dezembro-dia-internacional-dos-direitos-humanos.htm

10 de dezembro – Thomas Merton

dez 09 2020

Thomas Merton

Thomas Merton nasceu na França, em 1915. Após ficar órfão, ainda jovem, frequentou alguns colégios internos na França e na Inglaterra. Aluno brilhante, recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Cambridge, porém, Merton não aproveitou muito a oportunidade. Afundado em festas e bebedeiras, acabou engravidando uma jovem. Após um acordo entre as famílias, Merton foi levado para os EUA.

Merton formou-se em inglês, pela Universidade de Columbia. Foi na época da universidade que surgiu o interesse pela carreira de escritor, fazendo Merton escrever alguns romances, ensaios e poesias. Mas pouca coisa dos trabalhos dessa época foi publicada.

Apesar da religião não ter ocupado um lugar significativo na sua juventude, Merton se interessou pelo batismo na Igreja Católica Romana. Quis se tornar um sacerdote na Ordem Franciscana, mas os franciscanos o recusaram, por causa de suas histórias da época de Cambridge. Aconselhado por um amigo, Merton foi para um retiro na Abadia de Nossa Senhora do Getsêmani, um mosteiro trapista nas cercanias da cidade Louisville, em 1941.

Lá, Merton ficou impressionado com a disciplina dos monges, que rezavam a cada três horas. Merton fez um requerimento para ser aceito pelo mosteiro, que aconteceu em dezembro de 1941.

Ao entrar em Getsêmani, Merton pensou que sua carreira de escritor tinha se encerrado. Porém, sua primeira tarefa no mosteiro foi escrever uma autobiografia. O livro foi publicado em 1948, intitulado “The Seven Storey Mountain”. Logo se tornou um best-seller, vendendo com 600.000 cópias no primeiro ano, sendo publicado até hoje.

Além do sucesso de vendas, Merton recebeu muitas cartas, inclusive de pessoas famosas. Foi aí que passou a ser visto como uma autoridade popular da vida espiritual. Como os monges não podem ter acesso as notícias, foi através das cartas que Merton ficou sabendo de notícias que despertaram seu interesse por justiça social.

Usando seu poder de liderança moral, Merton passou a escrever sobre diversos temas que o preocupava, como a guerra nuclear, a guerra do Vietnã, o racismo e a pobreza. Alguns líderes da Igreja Católica tentaram fazê-lo parar de opinar, afirmando não ser esse o trabalho de um monge. Merton, então, teve que lutar para conseguir que lhe permitissem falar publicamente sobre esses assuntos.

Merton dedicou-se a falar basicamente sobre justiça social, espiritualidade e diálogo inter-religioso. Seus conselhos foram silenciados em dezembro de 1968, justamente na data do aniversário de sua entrada no mosteiro de Getsêmani. Merton faleceu em um estranho acidente elétrico em Bangkok.

 

Fonte: https://www.pensador.com/autor/thomas_merton/biografia/

10 de dezembro – Karl Barth

dez 09 2020

Karl Barth

Teólogo protestante suíço nascido em Basiléia, conhecido como o criador da teologia dialética do século XX. Estudou nas universidades de Berna, Berlim e Tübingen, e Marburg.

Foi editor-assistente do jornal Die Christliche Welt, pároco da Igreja Reformada Alemã em Genebra e pastor em Safenwill, ainda na Suíça. Lecionou teologia nas universidades alemãs de Göttingen, de Munique e de Bonn, de onde foi demitido pelo governo nazista (1935) e teve seus diplomas de teologia anulados devido a sua posição antinazista.

Voltando a Suíça, organizou a resistência dos pastores ao nacional-socialismo, dirigiu outros movimentos de âmbito internacional, defendeu os operários de Viena e os republicanos espanhóis. Com o fim da guerra, voltou à cátedra de Bonn, depois à de Basiléia, onde se aposentou (1961). Morreu em Basel e seus principais livros foram Der Römerbrief (1919) e Die Christliche Dogmatik (1932-1969), obra em 26 volumes.

Fonte: Biografias – Unidade Acadêmica de Engenharia Civil / UFCG

https://brasilescola.uol.com.br/biografia/karl-barth.htm