Category: Santos mês 6

22 de junho – Thomas More

maio 29 2019

THOMAS MORE, 22 de Junho, Ordem Terceira

PROTETOR DOS ADVOGADOS E ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS (1535)

    Thomas More era um advogado cujos serviços, embora constantemente em demanda, sempre eram temperados com frequentar a Eucaristia diária e outras práticas piedosas. Ao redor 1498, ele se tornou membro da Ordem Terceira. Como pai, ele zelava para que seus filhos crescessem em uma atmosfera cristã. Começando em 1518, Thomas foi Chanceler de Henrique VIII durante onze anos, e era conhecido e respeitado por toda Europa. Quando Henrique procurava o divórcio, casamento pela segunda vez com Anna Bolena e a designação Parlamentar de Chefe da Igreja da Inglaterra no Ato de Supremacia, Thomas renunciou. Incapaz de jurar pelo Ato, Thomas foi preso na Torre durante quinze meses e então decapitado depois de ser condenado por evidência de perjúrio.

Coleta: Deus de amor que deste a teu servo Thomas More uma bondade de espírito e firmeza de fé: fortalece-nos em segurar a tua verdade para que ao final, possamos sempre viver e amar juntos com todos teus santos no céu; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

19 de junho – Matt Talbot – 3ª Ordem

maio 29 2019

MATT TALBOT (1925) 19 de Junho 3ª Ordem

      Nascido em Dublin, Matt Talbot começou a beber em excesso quando adolescente e, durante quinze anos, foi alcoólatra muito ativo. Um dia, ele decidiu fazer “a promessa dos Alcoólicos Anônimos” durante três meses, fazendo uma confissão geral e começando a assistir à Eucaristia diária. Os seus primeiros sete anos depois de fazer a promessa foram extremamente difíceis, mas ele começou a orar tão intensamente quanto tinha bebido antigamente. Ele reembolsou todos aqueles a quem tinha pedido dinheiro emprestado ou roubado. Em grande parte de sua vida, trabalhou como operário de construção e se uniu à Ordem Terceira, iniciando uma vida de severa penitência. Em 1923, sua saúde faltou, e foi forçado a deixar o trabalho. Ele morreu a caminho da  igreja no Domingo da Trindade.

Coleta: Deus Todo-poderoso, concede-nos, com o bem-aventurado Matt Talbot, chegar à perfeição da humildade menosprezando o mundo, mas amando a todas as pessoas; menosprezando nossos pecados, mas aceitando teu perdão. Pedimos-te isto em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

30 de junho – Jaci Correia Maraschin, 2009

maio 29 2019

Jaci Correia Maraschin: sacerdote, poeta e teólogo. 1929-2009

“A IEAB amanheceu hoje mais empobrecida pelo passamento de um dos seus mais ilustres filhos.
Maraschin, ou Jaci – como alguns o chamavam – fez história nesta parte da Igreja de Deus. Desde a campanha gaúcha, onde nasceu na cidade de Bagé, Maraschin trilhou o caminho do mundo. Desde cedo revelou sua habilidade para a poesia e a música.

 
Foi um destacado líder da juventude em sua paróquia natal, a Matriz do Crucificado. Durante anos foi diretor responsável da revista Flâmula, um periódico mensal da juventude da IEAB, sendo um dos seus mais dedicados líderes. Em 1951 ingressou no Seminário e em 1953 foi ordenado diácono na Igreja da Ascensão, em Porto Alegre. Sua primeira comunidade como reverendo foi a de coadjutor na Paróquia da Redenção em São Gabriel onde realizou um belo trabalho de renovação espiritual e litúrgica. Após sua ordenação presbiteral, no ano seguinte, foi para os Estados Unidos para fazer pós-graduação no Seminário Geral de Nova York. A convivência com a Igreja dos Estados Unidos transformou Maraschin num dos mais ardentes defensores de uma espiritualidade comprometida com a reflexão profunda, com a relação entre fé e cultura e com a dimensão católica da espiritualidade anglicana.

Ao regressar ao Brasil, em 1956, recebeu a incumbência de coordenar a Educação Cristã. Desenvolveu um amplo trabalho de atualização da educação religiosa na Igreja, buscando construir um processo de formação que levasse em conta a diversidade e riquesa cultural brasileira. A ênfase numa espiritualidade não divorciada da realidade e na compreensão de que a Paróquia devia ser um amplo laboratório de uma fé comprometida. Paralelamente a esse trabalho, Marachin mantinha as funções de Secretário Executivo da Juventude e diretor da revista Flâmula.

 
Em 1959 tornou-se professor do Seminário Teológico em Porto Alegre. Em 1964 viajou a Estrasburgo para fazer o doutorado em Ciências da Religião, onde obteve a mais alta recomendação acadêmica – Magna Cum Laude – com sua tese acerca de Fraderick Deninson Maurice. Foi o primeiro episcopal brasileiro a receber tal distinção acadêmica na Europa. De volta ao Brasil, continuou sua docência no Seminário Teológico e passou a representar a Igreja do Brasil em fóruns nacionais e internacionais de âmbito denominacional e ecumênico. Foi um dos fundadores da ASTE – Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, tornando-se mais tarde seu Secretário Executivo por muito anos.
 
Em 1976 foi eleito para compor a Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas onde atuou ao lado de renomados teólogos do mundo inteiro. Foi escolhido pelo Arcebispo de Cantuária para compor a Comissão Internacional Anglicana de Teologia, criada em 1981 na qual participou da produção de vários documentos de orientação teológica para a Comunhão Anglicana. Foi escolhido para representar o Brasil no Conselho Consultivo Anglicano em 1990 e assessorou este mesmo Conselho na produção de diretrizes para as Provincias da Comunhão. Foi designado pelo Arcebispo de Cantuária para compor a Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana na qual ajudou a construir o famoso documento Dom da Autoridade, assinado pelas duas Igrejas.
 
Toda a Igreja é testemunha de sua rica rica contribuição à liturgia e à música. Afeito à Arte e amante do clássico ao moderno, Maraschin tem sua marca em muitas da músicas cantadas hoje no dia a dia de nossas paróquias. E não somente na IEAB. Sua contribuição atravessou fronteiras denominacionais e são hoje um patrimônio ecumênico. Ultimamente, por designação do bispo Primaz, estava coordenando o processo de revisão do Hinário da IEAB e de sua Liturgia.

O legado que nosso irmão deixa é imensurável. Praticamente a liderança toda da IEAB hoje recebeu sua influência teológica. Seu compormisso com uma Igreja inclusiva e aberta á razão e à intuição influenciou gerações. No dizer de um dos bispos de nossa Igreja, Maraschin reuniu harmonicamente as marcas de sacerdote, poeta e teólogo. No dizer de uma de suas filhas, Ana Isabela, ele chega a ser um ícone, uma imagem que não sai da mente. Mas o que diria o próprio Maraschin sobre si mesmo? Um amante da liberdade. Segundo ele, “a vida só é vida enquanto dura a liberdade”!

Viva a liberdade Maraschin. E viva-a intensamente agora que estás na presença de Deus. Que andes nos rastros do sagrado, como tu mesmo dissestes:”Liberdade é andar nos rastros do sagrado sem se preocupar com intencionalidades ou explicações”

Para além de tudo isso e com muito amor, ele foi um esposo e um pai exemplar e deixa saudades a Ana Dulce, sua esposa e às filhas Ana Isabela e Rosa Maria. A elas, o nosso agradecimento por ter partilhado esse irmão com a Igreja, mesmo as vezes à custa de ausências familiares. Aliás, as mulheres anglicanas do Brasil sempre tiveram nele um ardoroso defensor da ordenação feminina e do protagonismo de todas as mulheres ainda nos tempos em que esse debate atraia posições apaixonadas.

 
A título de sugestão e em memória de nosso irmão, pedimos às Paróquias e Missões da IEAB que utilizem em seus ofícios no próximo domingo uma música das muitas que ele compôs para a nossa elevação espiritual”.

Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva

Secretário Geral da IEAB 

27 de junho – Cirilo

maio 29 2019
São Cirilo de Alexandria, bispo e doutor da Igreja
27-06

Cirilo nasceu em 370. De 412 a 444, ano de sua morte, teve nas mãos, com toda a firmeza, as rédeas da Igreja do Egito, empenhando-se, ao mesmo tempo, numa das épocas mais difíceis da história da Igreja do Oriente, na luta pela ortodoxia, em nome do papa são Celestino. Nesta firmeza no serviço da doutrina e na coragem demonstrada na defesa da verdade católica está a santidade do batalhador bispo de Alexandria, embora tardiamente reconhecida, ao menos no Ocidente. De fato, somente no pontificado de Leão XIII o seu culto foi estendido a toda a Igreja latina e lhe foi atribuído o título de doutor.

Pela defesa da ortodoxia, contra o erro de Nestório, bispo de Constantinopla, arriscou ser mandado ao exílio e por alguns meses experimentou a humilhação do cárcere: “Nós — escreveu —, pela fé em Cristo, estamos prontos a sofrer tudo: algemas, cárcere, todos os incômodos da vida e a própria morte”. No concílio de Éfeso, no qual Cirilo foi um dos protagonistas, foi derrotado seu adversário Nestório, que fizera verdadeira tempestade na Igreja, pondo em discussão a maternidade divina de Maria.

Título de glória para o bispo de Alexandria foi o ter elaborado nesta ocasião uma autêntica e límpida teologia da Encarnação. “O Emanuel tem certamente duas naturezas: a divina e a humana. Todavia, o Senhor Jesus é um só, único e verdadeiro filho natural de Deus, ao mesmo tempo Deus e homem, não um homem deificado, semelhante aos que pela graça se tornaram partícipes da natureza divina, mas Deus verdadeiro que para a nossa salvação apareceu na forma humana”. Tem particular interesse a quarta homilia, pronunciada durante o Concílio de Éfeso, o célebre Sermão em louvor à Mãe de Deus. Neste importante exemplo de pregação mariana, que inicia rico florescimento de literatura em louvor da Virgem, Cirilo celebra as grandezas divinas da missão de Nossa Senhora, que é verdadeira Mãe de Deus, pela parte que teve na concepção e no parto da humanidade do Verbo feito carne.

Controversista de categoria, Cirilo transbordou os rios da sua fecunda oratória. Teólogo de olhar penetrante, foi ao mesmo tempo pastor vigilante das almas. De fato, ao lado dos tratados estritamente doutrinais, temos dele 156 homilias sobre são Lucas, de caráter pastoral e prático, e as mais conhecidas Cartas pastorais, expressas em 29 homilias pascais.

Extraído do livro: Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

15 de junho – Evelyn Underhill, 1941

maio 29 2019

Evelyn Underhill
Evelyn Underhill não é uma figura comum entre os mestres da oração. Ela não foi, como muitas santas
mulheres cristãs o foram, uma freira, mas uma dona-de-casa inglesa, que viveu toda a sua vida nos
subúrbios próximos de Londres. Talvez por esta razão, seus ensinamentos e exemplo são bem
relacionados às necessidades do povo de fala inglesa que vive nas assim chamadas sociedades
“avançadas”. Ela acreditava e pensava que Deus pode nos alcançar e inspirar nossas orações, mesmo
quando nossas vidas e circunstâncias são praticamente “comuns” e pouco místicas.
Nasceu em 1874, filha de Arthur Underhill, um conhecido advogado. A família, então, estava
estabelecida em Wolverhampton, mas logo se mudou para Londres onde, em 1907, casou-se com
Hubert Stuart Moore, também advogado. Evelyn manteve seu sobrenome de solteira em sua carreira de
escritora, que começou cedo. Ela já tinha publicado pequenas peças durante sua adolescência.
Não está claro se os livros sobre experiência “mística” ou as experiências propriamente ditas vieram
antes, mas certamente nos primeiros anos do Séc. XX, Evelyn Underhill, da mesma maneira que
outros, durante esse período, estava intensamente atraída por esta maneira de ver o mundo.
Sua educação religiosa na Igreja da Inglaterra tinha sido formal e sua família podia se considerada
como cristã convencional. Sua rejeição por essa situação e sua excitante descoberta pessoal dos grandes
textos místicos e das personalidades do Leste e do Oeste, estão incorporadas em todas as suas
publicações de antes da 1ª Grande Guerra, inclusive em três novelas. Muito do material histórico
místico e não-ocidental que a fascinou era, então, difícil de ser encontrado e ela, pessoalmente, foi uma
das primeiras a divulgá-lo e torná-lo acessível a pessoas comuns. Sua grande contribuição deste
período foi “Misticismo” (1911), mais tarde revisado profundamente e frequentemente reeditado.
Antes de seu casamento, Evelyn Underhill tornou-se católica-romana. Dúvidas pessoais e a oposição de
seu marido, finalmente, fizeram-na retornar à Igreja da Inglaterra, mas durante certo período, ela
sentiu-se como se estivesse “sem-igreja”. Por volta de 1922, sob a inspiração de um grande teólogo
católico leigo, Frederico Von Hügel, voltou a ser membro comungante da Igreja da Inglaterra e ambos
inspiraram e orientaram muitos anglicanos, que se sentiam atraídos à prática da oração contemplativa.
Von Hügel inspirou muito do seu pensamento posterior, e foi dele que ela elaborou uma máxima
fundamental para sua conduta em relação àqueles aos quais tinha condições de auxiliar: “A melhor
coisa que podemos fazer por aqueles a quem amamos é ajudá-los a escapar de nós”.
Uma contribuição significativa de seus últimos anos foi seu livro “Adoração” (1936), que introduzia e
analisava a grande tradição dos ritos e orações públicas, assim como foram herdadas, tanto no Ocidente
como no Oriente.
Como orientadora espiritual ou “uma amiga da alma”, Evelyn Underhill frequentemente encontra-se
face a face com aquela sede por uma “experiência” especial ou privilegiada, a qual ela, pessoalmente,
havia conhecido. Ela tentava direcionar tais buscas para um amor gentil pelos sacramentos e um
tranqüilo auto-abandono em Deus, nas atuais circunstâncias daquelas vidas. Seus ensinamentos podem
ser encontrados em muitos livros pequenos, baseados em seus retiros e mensagens, em suas cartas e nas
memórias daqueles que a conheceram e compartilharam de sua presença tranqüila e calma sabedoria.
Ela gostava de velejar e de caminhadas pelo campo com seu marido (que não estava, até então,
interessado em sua vida espiritual) e praticava várias artes manuais. Em 1920, ela tomou parte na
tentativa de repensar o relacionamento entre religião e sociedade, inspirada pelo Arcebispo William
Temple; mais tarde, se tornou jornalista de tempo parcial no “Spectator” e contribuía regularmente para
outros jornais. Ao tempo de sua morte, em 1941, ela era ainda, como tinha sido desde o começo dos
anos trinta, uma cristã pacifista convicta.
Evelyn Underhill comunicou por palavras e testemunho o seu senso especial da incomensurável
realidade da natureza divida invisível no pensamento trinitário, mas não percebida, na fé cristã. O
esforço de sua maturidade tinha sido reconhecer, em toda a sua força e profundidade, a doutrina cristã
concernente à encarnação de Cristo. Sua docilidade e, finalmente, a alegre culminância de sua fé, e sua
dedicação a isto no aprender e crescer na oração, é uma das marcas do seu desenvolvido ensinamento
espiritual. Ela foi uma mestra da oração numa grande tradição cristã.
Nossa Herança
Deus,
que permaneces tão decisivamente acima de nossa vida,
fonte de todo o esplendor e de toda a alegria,
estás ainda em um contato muito próximo e carinhoso conosco;
e nos levas, através de todo esplendor e alegria, em direção à verdade.
Ele realizou sua criação em nós,
quase como que um desejo ardente para ele próprio,
de tal modo que os breves momentos da eternidade, que algumas vezes nos visitam
fazem tudo o mais parecer cinzas e pó, sem vida e sem valor.
Portanto,
não pode haver situação em nossa vida, nem atitudes, nem preocupaçãoes ou relacionamentos que nos
impeçam de olhar para esse Deus de verdade absoluta, e dizer “Pai Nosso” de todos nós e de todas as
outras almas envolvidas.
Nossa herança é Deus, nosso Pai e nosso Lar.
Nós o reconhecemos, diz São João da Cruz, porque nós sempre carregamos em nossos corações um
áspero esboço do semblante bem-amado.
Olhando para estas profundezas,
tal como para uma silenciosa lagoa numa floresta escura,
nós lá encontraremos olhando para nós a face que, por tanto tempo e implicitamente, já conhecemos.
Ela está num outro mundo,
numa outra luz: mas também está aqui.
Na medida em que nos apercebemos disso, nossa oração flui até que ela possa incluir os extremos de
adoração respeitosa e do amor confiante, e tudo isso se funda numa coisa só.
Evelyn Underhill
Masters of Prayer
Oração de Santo Agostinho
Tarde te amei,
ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim,
e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme,
lançava-me sobre as belas formas
das tuas criaturas.
Estavas comigo,
mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas,
que não existiriam
se em ti não existissem.
Tu me chamaste,
e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste,
e tua luz afungentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragância
e, respirando-a,
suspirei por ti.
Eu te saboreei,
e agora tenho fome e sede de ti.
Tu me tocaste,
e agora estou ardendo no desejo de tua paz.

Fonte: Dom Luiz Osório Prado, IEAB