Category: Santos mês 6

15 de junho – Evelyn Underhill, 1941

maio 29 2019

Evelyn Underhill
Evelyn Underhill não é uma figura comum entre os mestres da oração. Ela não foi, como muitas santas
mulheres cristãs o foram, uma freira, mas uma dona-de-casa inglesa, que viveu toda a sua vida nos
subúrbios próximos de Londres. Talvez por esta razão, seus ensinamentos e exemplo são bem
relacionados às necessidades do povo de fala inglesa que vive nas assim chamadas sociedades
“avançadas”. Ela acreditava e pensava que Deus pode nos alcançar e inspirar nossas orações, mesmo
quando nossas vidas e circunstâncias são praticamente “comuns” e pouco místicas.
Nasceu em 1874, filha de Arthur Underhill, um conhecido advogado. A família, então, estava
estabelecida em Wolverhampton, mas logo se mudou para Londres onde, em 1907, casou-se com
Hubert Stuart Moore, também advogado. Evelyn manteve seu sobrenome de solteira em sua carreira de
escritora, que começou cedo. Ela já tinha publicado pequenas peças durante sua adolescência.
Não está claro se os livros sobre experiência “mística” ou as experiências propriamente ditas vieram
antes, mas certamente nos primeiros anos do Séc. XX, Evelyn Underhill, da mesma maneira que
outros, durante esse período, estava intensamente atraída por esta maneira de ver o mundo.
Sua educação religiosa na Igreja da Inglaterra tinha sido formal e sua família podia se considerada
como cristã convencional. Sua rejeição por essa situação e sua excitante descoberta pessoal dos grandes
textos místicos e das personalidades do Leste e do Oeste, estão incorporadas em todas as suas
publicações de antes da 1ª Grande Guerra, inclusive em três novelas. Muito do material histórico
místico e não-ocidental que a fascinou era, então, difícil de ser encontrado e ela, pessoalmente, foi uma
das primeiras a divulgá-lo e torná-lo acessível a pessoas comuns. Sua grande contribuição deste
período foi “Misticismo” (1911), mais tarde revisado profundamente e frequentemente reeditado.
Antes de seu casamento, Evelyn Underhill tornou-se católica-romana. Dúvidas pessoais e a oposição de
seu marido, finalmente, fizeram-na retornar à Igreja da Inglaterra, mas durante certo período, ela
sentiu-se como se estivesse “sem-igreja”. Por volta de 1922, sob a inspiração de um grande teólogo
católico leigo, Frederico Von Hügel, voltou a ser membro comungante da Igreja da Inglaterra e ambos
inspiraram e orientaram muitos anglicanos, que se sentiam atraídos à prática da oração contemplativa.
Von Hügel inspirou muito do seu pensamento posterior, e foi dele que ela elaborou uma máxima
fundamental para sua conduta em relação àqueles aos quais tinha condições de auxiliar: “A melhor
coisa que podemos fazer por aqueles a quem amamos é ajudá-los a escapar de nós”.
Uma contribuição significativa de seus últimos anos foi seu livro “Adoração” (1936), que introduzia e
analisava a grande tradição dos ritos e orações públicas, assim como foram herdadas, tanto no Ocidente
como no Oriente.
Como orientadora espiritual ou “uma amiga da alma”, Evelyn Underhill frequentemente encontra-se
face a face com aquela sede por uma “experiência” especial ou privilegiada, a qual ela, pessoalmente,
havia conhecido. Ela tentava direcionar tais buscas para um amor gentil pelos sacramentos e um
tranqüilo auto-abandono em Deus, nas atuais circunstâncias daquelas vidas. Seus ensinamentos podem
ser encontrados em muitos livros pequenos, baseados em seus retiros e mensagens, em suas cartas e nas
memórias daqueles que a conheceram e compartilharam de sua presença tranqüila e calma sabedoria.
Ela gostava de velejar e de caminhadas pelo campo com seu marido (que não estava, até então,
interessado em sua vida espiritual) e praticava várias artes manuais. Em 1920, ela tomou parte na
tentativa de repensar o relacionamento entre religião e sociedade, inspirada pelo Arcebispo William
Temple; mais tarde, se tornou jornalista de tempo parcial no “Spectator” e contribuía regularmente para
outros jornais. Ao tempo de sua morte, em 1941, ela era ainda, como tinha sido desde o começo dos
anos trinta, uma cristã pacifista convicta.
Evelyn Underhill comunicou por palavras e testemunho o seu senso especial da incomensurável
realidade da natureza divida invisível no pensamento trinitário, mas não percebida, na fé cristã. O
esforço de sua maturidade tinha sido reconhecer, em toda a sua força e profundidade, a doutrina cristã
concernente à encarnação de Cristo. Sua docilidade e, finalmente, a alegre culminância de sua fé, e sua
dedicação a isto no aprender e crescer na oração, é uma das marcas do seu desenvolvido ensinamento
espiritual. Ela foi uma mestra da oração numa grande tradição cristã.
Nossa Herança
Deus,
que permaneces tão decisivamente acima de nossa vida,
fonte de todo o esplendor e de toda a alegria,
estás ainda em um contato muito próximo e carinhoso conosco;
e nos levas, através de todo esplendor e alegria, em direção à verdade.
Ele realizou sua criação em nós,
quase como que um desejo ardente para ele próprio,
de tal modo que os breves momentos da eternidade, que algumas vezes nos visitam
fazem tudo o mais parecer cinzas e pó, sem vida e sem valor.
Portanto,
não pode haver situação em nossa vida, nem atitudes, nem preocupaçãoes ou relacionamentos que nos
impeçam de olhar para esse Deus de verdade absoluta, e dizer “Pai Nosso” de todos nós e de todas as
outras almas envolvidas.
Nossa herança é Deus, nosso Pai e nosso Lar.
Nós o reconhecemos, diz São João da Cruz, porque nós sempre carregamos em nossos corações um
áspero esboço do semblante bem-amado.
Olhando para estas profundezas,
tal como para uma silenciosa lagoa numa floresta escura,
nós lá encontraremos olhando para nós a face que, por tanto tempo e implicitamente, já conhecemos.
Ela está num outro mundo,
numa outra luz: mas também está aqui.
Na medida em que nos apercebemos disso, nossa oração flui até que ela possa incluir os extremos de
adoração respeitosa e do amor confiante, e tudo isso se funda numa coisa só.
Evelyn Underhill
Masters of Prayer
Oração de Santo Agostinho
Tarde te amei,
ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim,
e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme,
lançava-me sobre as belas formas
das tuas criaturas.
Estavas comigo,
mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas,
que não existiriam
se em ti não existissem.
Tu me chamaste,
e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste,
e tua luz afungentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragância
e, respirando-a,
suspirei por ti.
Eu te saboreei,
e agora tenho fome e sede de ti.
Tu me tocaste,
e agora estou ardendo no desejo de tua paz.

Fonte: Dom Luiz Osório Prado, IEAB

12 de junho – Enmegahbowh, 1902

maio 29 2019

John Johnson Enmegahbowh

John Johnson Enmegahbowh, um índio Odawa (Ottawa) do Canadá, foi criado no modo tradicional de Midewiwin de seu avô e da religião cristã de sua mãe. Ele chegou aos Estados Unidos como missionário metodista em 1832. Em determinado momento, Enmegahbowh tentou abandonar o trabalho missionário e voltar para o Canadá, mas o barco sofreu uma tempestade no Lago Superior, proporcionando-lhe uma visão: “Aqui o Sr. Jonah veio antes e disse: ‘Ah, meu amigo Enmegahbowh, eu conheço você. Você é um fugitivo. Você pecou e desobedeceu a Deus. Em vez de ir para a cidade de Nínive, onde Deus lhe enviou para espalhar sua palavra ao povo e você se desviou, para o caminho de Tarsis … ‘”

Enmegahbowh convidou James Lloyd Breck para Gull Lake, onde juntos fundaram a Missão de St Columba em 1852. Mais tarde, a missão foi transferida para a White Earth, onde Enmegahbowh serviu até sua morte em 1902. Indesejado por algum tempo por alguns grupos Ojibway porque ele alertou a comunidade em Fort Ripley, sobre a revolta de 1862, Enmegahbowh foi consistente como um homem de paz, inspirando a missão Waubanaquot (Chefe Nuvem Branca ), obtendo uma paz duradoura entre os povos Ojibway e Dakota.

Enmegahbowh (“Aquele que está diante de seu povo”) é o primeiro sacerdote nativo americano reconhecido na Igreja Episcopal Protestante dos Estados Unidos. Foi ordenado diácono pelo bispo Jackson Kemper em 1859 e presbítero pelo bispo Whipple na catedral de Farbault em 1867. Enmegahbowh ajudou a treinar muitos outros para servir como diáconos em todo o norte de Minnesota. A poderosa tradição do canto do hino Ojibway é um testemunho vivo de seu ministério. Sua compreensão da tradição nativa permitiu-lhe incutir o cristianismo na língua e tradições do Ojibway. Ele viajou incansavelmente por todo o Minnesota e além, participando ativamente do desenvolvimento da estratégia e política de missão da Igreja Episcopal.

Coleta:
Deus Todo-Poderoso, que conduziste o teu povo peregrino de antigamente com fogo e nuvem: Concede que os ministros de sua Igreja, seguindo o exemplo do abençoado Enmegahbowh, possam estar diante do teu povo santo, conduzindo-o com ardente zelo e humildade. Isto pedimos através de Jesus, o Cristo, que vive e reina contigo na unidade do Espírito Santo, um só Deus agora e para sempre. Amém.

Livre tradução REVJBS de https://forallsaints.wordpress.com/2014/06/12/enmegahbowh-presbyter-and-missionary-1902-2/

4 de junho – Isabel de Portugal, 1336

maio 29 2019

Isabel de Portugal, 1336

“Onde, se não na corte, são mais necessárias as mortificações? Aqui os perigos são maiores”, costumava dizer Santa Isabel de Portugal, cuja memória litúrgica é celebrada neste dia 4 de julho. Foi dessa forma que a santa viveu, como uma mulher de caridade e reconciliadora, mesmo cercada pelas pompas, intrigas e lutas do reino.

Isabel nasceu na Espanha, em 1271, filha de Pedro II, rei de Aragão. Quando veio ao mundo, seu pai, ainda um jovem príncipe, queria se divertir. Por isso, deixou a menina sob os cuidados de seu avô, Tiago I, o qual levava uma vida voltada para a fé e deu uma educação cristã para a futura rainha. Quando estava em seu leito de morte, Tiago I acariciou sua neta, então com seis anos, e declarou que ela seria uma pedra preciosa da casa de Aragão, profecia que viria a se concretizar anos mais tarde.
Aos 12 anos, pretendentes pediram Isabel em casamento e seu pai escolheu o herdeiro do trono de Portugal, dom Dinis. Era tida como uma das rainhas mais belas da corte espanhola e portuguesa, sendo conhecida também por sua personalidade forte e doce, sua inteligência e diplomacia. Foi um grande testemunho de esposa cristã, mulher de oração e centrada na Eucaristia. Deu à luz dois filhos: Constância, que viria a se tornar rainha de Castela, e Afonso, herdeiro do trono de Portugal e que viveu muito conflitos com o pai, mediados e reconciliados pela santa. Isabel viu seu marido se lançar a numerosas aventuras extraconjugais, que a humilhavam diante todos. Porém, mostrou-se magnânima no perdão, chegando até mesmo a criar os filhos frutos desses relacionamentos, com o mesmo afeto que dedicava aos seus próprios filhos. Certa vez, porém, seu marido se deixou tomar pelo ciúme e deu créditos às calúnias e insinuações de um cortesão que não conseguiu se aproximar de Isabel. Foi grande o sofrimento da rainha, mas ela não desistiu e conseguiu provar sua inocência. Em meio aos dramas familiares, Isabel ainda dedicava atenção às disputas internas das cortes de Portugal e Espanha, destacando-se como única voz a pregar a concórdia e conseguir a pacificação. Por outro lado, tinha grande preocupação pelos mais necessitados. Ocupava seu tempo ajudando os pobres, os enfermos, por meio da caridade e da piedade. Construiu o hospital dos inocentes, para receber crianças cujas mães desejavam abandonar. Conta a tradição popular que, certa vez, a rainha saia para distribuir pães aos desfavorecidos durante o inverno, quando o rei Dinis a interceptou o perguntou o que levava no regaço. Ela responde: “São rosas”. O rei questionou como poderia haver rosas naquela estação, ao que Isabel expôs o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que tinha ocultado. Isabel também construiu o Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, o mosteiro cisterciense de Almoste e o Santuário do Espírito Santo em Alenquer. Quando o rei Dinis morreu, a rainha se recolheu no Mosteiro de Santa Clara, ingressando na Ordem Terceira Franciscana. Abdicou de seu título de nobreza, depositou sua coroa no altar de São Tiago de Compostela e doou sua fortuna pessoal para as obras de caridade. Isabel partiu para a Casa do Pai no dia 4 de julho de 1336, em Estremoz, e foi sepultada no Mosteiro de Coimbra. Em 1665, foi canonizada pelo Papa Urbano VIII. Foi declarada padroeira de Portugal e é invocada como “a rainha santa da concórdia e da paz”.

Fonte: ACI Digital

 

2 de junho – Mártires de Lyon, 177

maio 29 2019

“Perseguições do 2º século – a gesta dos mártires Os Antoninos, Adriano (117-138), Antonino Pio (138-161) e Marco Aurélio (161-180) não fizeram mudanças na legislação anticristã. Esporadicamente eclodiam novas perseguições e a Igreja ganhava novos mártires. Muitas vezes era a turba que, fanatizada, levada pela inveja ou pelo patriotismo, denunciava e entregava os cristãos ao poder público. Na Gália temos os mártires de Lyon, em 177. Uma revolta popular arrastou para a morte cinqüenta cristãos, entre eles Potino, o bispo, que contava na ocasião 90 anos, o diácono Sanctus e a escrava Blandina. Esta última suportou com incrível coragem inúmeros tormentos antes de entrar no repouso de Cristo. Depois de queimarem os corpos dos mártires, lançaram suas cinzas no Ródano. Os algozes comentavam, em tom de zombaria: “Vejamos se agora o seu Deus os ressuscita”. Em Roma temos a pequena Cecília. Jovem, de família nobre, quis consagrar-se a Cristo e fez voto de virgindade. O cutelo do carrasco precisou ser usado várias vezes antes de conseguir tirar-lhe a vida. Também muitos papas morreram mártires ao longo do século II. Em Scili, na África, doze fiéis foram presos. O interrogatório ao qual foram submetidos ficou registrado para a História. Todos receberam a coroa do martírio. Não se deve imaginar, no entanto, que os mártires não tinham medo das torturas e da morte. Muitos cristãos preferiram renegar a própria fé, caindo na apostasia, a morrer por Cristo. Porém, “o sangue dos mártires é semente de cristãos” (Tertuliano). A coragem dos que preferiam o Senhor à própria vida ajudava na propagação da fé.” 

Fonte: https://www.bibliacatolica.com.br/historia-da-igreja/13/

9 de junho – Efrém da Síria

maio 29 2019

Efrém da Síria

Confessor; Doutor da Igreja
Nascimento: c. 306 em Nísibis
Morte: 9 de junho de 373 em Edessa (atualmente na Turquia)
Venerado o por toda Cristandade, especialmente nas comunidades siríacas
Festa litúrgica:   28 de janeiro (Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Católica Oriental); 7º sábado antes da Páscoa (Igreja Ortodoxa Síria); 9 de junho (Igreja Católica Apostólica Romana e Comunhão Anglicana); 18 de junho (Igreja Maronita)

Escapando do avanço do exército sassânida, fugiu para Edessa onde lecionou por muitos anos. Autor de uma grande variedade de hinos, poemas e sermões de exegese bíblica, em verso e em prosa. Suas obras são exemplos de uma teologia prática voltadas para defesa da igreja em tempos turbulentos e tornaram-se tão populares que, por séculos após a sua morte, autores cristãos escreveram centenas de trabalhos pseudepígrafes em seu nome. Por suas obras, foi declarado Doutor da Igreja pelo papa Bento XV em 1920. Efrém tem sido considerado o mais importante de todos os padres da Igreja na tradição siríaca da igreja.

Efrém nasceu por volta de 306 na cidade de Nísibis (moderna Nusaybin, na Turquia, perto da fronteira com a Síria), que tinha se tornado parte do Império Romano apenas oito anos antes, em 298. Evidências internas da hinódia de Efrém sugerem que seus pais eram parte da crescente comunidade cristã da cidade, embora hagiógrafos posteriores tenham defendido que seu pai seria um sacerdote pagão. Diversas línguas eram faladas em Nísibis na época, a maior parte delas dialetos do aramaico, enquanto a comunidade cristã utilizava-se de um dialeto siríaco. A cultura local estava sujeita a influências pagãs, judaicas e das seitas do início do cristianismo.

Tiago (em latim: Jacobus ), o segundo bispo de Nísibis e um dos signatários do Concílio de Niceia, foi consagrado em 308 e Efrém cresceu durante seu episcopado; foi batizado ainda menino e, quase certamente, tornou-se um “filho da aliança”, uma forma pouco comum do proto-monasticismo siríaco. Tiago indicou Efrém como professor (em siríaco: malp̄ānâ, um título que ainda inspira grande respeito entre os cristãos siríacos), e ele foi ordenado diácono no seu batismo ou em seguida;[5] Efrém começou a compor seus hinos e escrever comentários sobre a Bíblia como parte de sua função de educador. Em seus hinos, ele às vezes se refere a si mesmo como um “boiadeiro” (ܥܠܢܐ, ‘allānâ), ao seu bispo como o “pastor” (ܪܥܝܐ, rā‘yâ) e à sua comunidade como “rebanho” (ܕܝܪܐ, dayrâ). Tradicionalmente, acredita-se que Efrém tenha sido o fundador da Escola de Nísibis, que, nos séculos posteriores, foi o centro do conhecimento do cristianismo oriental.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.