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05 de maio – Primeira Orden. Feminina na IEAB – Carmen Etel

abr 29 2020

05 de maio – Primeira Ordenação Feminina na IEAB – Carmen Etel

Carmen Etel: a primeira reverenda da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)

 “O Senhor ficou comigo e me deu poder, para que por meio de mim fosse anunciada a sua mensagem” (II Timóteo 4:17)

Como cristã que está ainda fascinada pela tradição anglicana há quase três anos, gostaria de lhes apresentar um pouco sobre a história da ordenação feminina da minha igreja. Propositadamente, escolhi uma brasileira gaúcha que, dentre as anglicanas, não detém o cargo de maior prestígio, mas é uma coluna e inspiração para as ordenações femininas subsequentes. Acompanhem-me nesta jornada, que tive o prazer de compilar em algumas centenas de palavras.

Um pouco de história

A Igreja Anglicana não é muito conhecida no Brasil como são as demais vertentes cristãs, então um preâmbulo se faz necessário.

A história que nos contam na escola é que foi fundada pelo rei Henrique VIII que decidiu romper com a Igreja Católica para se divorciar da esposa e se casar com a amante – ou seja, fruto de um adultério, mais um pontinho de culpa para somar às mulheres. Porém, essa é uma versão no mínimo simplista, dizemos nós anglicanas e anglicanos.

Pensem comigo: antes de se instituir a Igreja Romana, existiam apenas cristãos sem denominação. Por onde os apóstolos passavam, paravam, e construíam uma “igreja” (o sentido mais original, como reunião de pessoas), que ganhava o nome do povo local. Na Grã-Bretanha, virou Igreja Celta: uma adaptação do cristianismo aos costumes, crenças e tradições da região. No século VI, já a mando da Igreja Católica, santo Agostinho virou o arcebispo de Cantuária e colocou a Inglaterra sob a tutela do Vaticano, com o intuito de converter os anglo-saxões. A despeito disso, por questões geográficas, a igreja nas terras inglesas tinha seu desenvolvimento bastante autônomo. Foi assim por quase 1000 anos, até que o Rei Henrique VIII, particularmente afetado pelas regras do catolicismo, decidiu proclamar a independência, instaurando a Church of England.

Em tempos de conquista de territórios, a Anglicana pautou sua conduta pela adaptação como peça fundadora e fundamental da sua estrutura, em vez da imposição, ao deixar que os povos colonizados contribuíssem com seus próprios valores e ideias. Atualmente, é uma das vertentes cristãs que mais cresce no mundo[1].

A primeira ordenação feminina

Antes de ser um consenso fruto de diálogo, a ordenação feminina foi fruto da necessidade. Em 1944, a Igreja de Hong Kong passava por uma situação singular, devido à falta de homens – que estavam lutando contra a ocupação japonesa – naquela província[2]. Os bispos da   decidiram, então, ordenar uma mulher. Florence Li Tim Oi[3] entrou para a história como a primeira sacerdotisa de uma religião cristã e como reverenda na Comunhão Anglicana, na Colônia de Macau – apesar de ter renunciado o título ao final da guerra, ela é um marco para o início de uma discussão mais ampla.

Desde então, ordenação de mulheres na Comunhão Anglicana é uma tendência desde a década de 70, intensificando-se após a virada do século XX. Atualmente, a maioria das   da Comunhão Anglicana[4] ordenam mulheres para uma das três ordens tradicionais, consagrando bispas, reverendas e/ou  . Outras províncias ordenam mulheres como diáconas e reverendas, mas não como bispas; outras, ainda, apenas como diáconas; e sete províncias não ordenam mulheres a qualquer uma dessas ordens do ministério[5].

Dentro de algumas províncias que permitem a ordenação de mulheres, a aprovação da legislação canônica, permitindo tal prática, é de responsabilidade das dioceses, seguindo a tendência de autonomias das dioceses em relação umas às outras.

O ministério ordenado de mulheres no Brasil

Em 1973, por ocasião do 24° Concílio da Diocese Sul Ocidental, de 4 a 7 de janeiro, em Santana do Livramento/Rio Grande do Sul, a irmã Maria Elvira Zimmermann Noble fez o primeiro discurso apologético em defesa da ordenação feminina na então Igreja Episcopal do Brasil. Doze anos depois, a IEAB aprova, em assembleia sinodal, o pleito da ordenação de mulheres.

Por fim (ou pra início de conversa) em 05 de maio de 1985, a IEAB realiza a primeira ordenação feminina ao diaconato, sendo ordenada Carmen Etel Alves Gomes, precursora dessa caminhada que foi seguida por dezenas de outras mulheres até a presente data[6].

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) comemora, em 2019, 34 anos de ministério ordenado de mulheres. Passemos, então, ao legado da primeira ordenação feminina, com algumas incursões pessoais:

Carmen Etel, ontem e hoje

Carmen Etel Alves Gomes nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. É formada em Ciências Sociais e Teologia. Já atuou como presbítera em várias regiões do Brasil, e do mundo, e atualmente trabalha no Centro de Estudos Anglicanos em Porto Alegre e é Pároca na Igreja de Todos os Santos em Novo Hamburgo[7]. Nos anos 80, já pregava sobre novas teologias, utilizando-se da linguagem da práxis, consciência e fé política –  o que concedeu a ela o rótulo de padre vermelho, pela sua voz profética de denunciar as injustiças.

A reverenda trata o sexismo como pecado presente na sociedade que respinga, por óbvio, nas nossas comunidades, no contexto de uma cultura patriarcal. Apesar da boa relação histórica da IEAB com relação à ordenação de mulheres, ressalta que não há plena igualdade de gênero. Denuncia que uma mulher mesmo tendo uma ótima bagagem teológica, bíblica, pastoral – concorrendo com um homem, não ganharia a eleição. Não por falta de capacidade, mas devido ao patriarcado arraigado nas comunidades e na sociedade, porque nós mulheres sofremos cotidianamente quanto ao questionamento da nossa capacidade para cargos de liderança, ou mesmo da nossa sanidade. A luta toma proporções de saúde mental a ponto de duvidarmos de nós mesmas.

Sobre as demais ordenações cristãs, lamenta a invisibilidade da mulher no altar, devido a interpretações de textos da Bíblia que endossam a ideia de que mulheres não podem ser sacerdotisas. Isso se dá muito da nossa leitura bíblica, como se só fosse escrita por homens, embora tenhamos textos bíblicos de presença e participação proeminente da mulher. Afirma que, mesmo tendo na Bíblia um forte  [8], se consegue, com a   feminista[9], descobrir que Deus se apresenta na história da libertação usando as mulheres desde o início da caminhada do Êxodo. Nesse sentido, Redomas traz consigo muitos olhares femininos sobre a Bíblia e nossa caminhada com Cristo como mulheres numa sociedade machista.

Por isso Carmen acredita no ministério feminino, principalmente na missão fora do templo, junto das bases. Profetiza que mulheres vocacionadas contribuem para uma Igreja Profética, aberta, solidária e acolhedora em todos os sentidos: nós mulheres contribuímos quando somos vozes proféticas de denúncia dessa violência que estamos vivendo hoje, e  anunciamos a busca da construção de uma cultura pela Paz!

Existem tópicos, para Carmen, em que a contribuição da mulher é salutar, como na questão da prevenção e enfrentamento da Violência de Gênero. Além disso, para ela as mulheres ordenadas ainda ajudam na construção de uma nova teologia. Cita a Teologia Feminista de Ivone Gebara[10], a Hermenêutica de Fiorenza[11], e como a Hermenêutica Feminista abriu os olhos para nos permitir apropriarmo-nos dos “textos”, tornando-os como luzes para a caminhada de hoje.

Ainda, a reverenda entende que a linguagem patriarcal que se refere a Deus nas nossas liturgias é instrumento de condicionamento sutil que age para fragilizar o sentimento de dignidade, de poder e de autoestima da mulher: essa imagem de Deus Pai introjetada só tem contribuído para que a sociedade continue oprimindo a mulher, permitindo que os mecanismos de opressão contra esta pareçam corretos e adequados. Que Deus a Igreja tem pregado?

Deus: Pai e Mãe

Dito isso, importante ressaltar que, em 2015, a igreja Anglicana reformou seu Livro de Oração Comum, para uma linguagem mais inclusiva[12].

Juliana de Norwich, da Comissão Nacional de Liturgia da IEAB, salienta que pequenas mudanças foram feitas de modo a refletir esse princípio de forma mais evidente, estendendo por meio da liturgia o testemunho de que a humanidade – independente de gênero – é feita à imagem e semelhança de Deus, Pai e Mãe: isso não é fruto do acaso, mas graças, sobretudo, pela oportunidade da reforma ter sido efetuada por uma comissão composta por uma maioria de mulheres.

Nas suas palavras, onde mulheres têm voz, podemos enxergar seus problemas de exclusão de maneira mais clara – algo que os homens só vivem em teoria, sem que seja experiência de vida.

Como podemos aprender com o exemplo de Carmen?

Às vezes idealizamos os exemplos importados, e ignoramos a riqueza das mulheres mais próximas a nossa realidade brasileira. Em pleno século XXI, ainda há a discussão sobre o papel que o gênero feminino exerce na hierarquia. Mesmo que a ela seja permitido e/ou incentivado estudar, muitas tradições cristãs ainda veem como inconciliável uma mulher no comando de uma congregação, visto que ela dominaria sobre o homem, independente de que ela possa ser mais estudada que alguns homens nessa função. Assim, à mulher resta ensinar – em silêncio, invisível, e com um sorriso impecável.

Carmen chegou onde chegou pela dor de suas ancestrais e pela luta de suas irmãs. Nunca foi um presente. É conquista histórica que fazemos nos ombros umas das outras, dando as mãos. Assim, por meio do seu exemplo, ela também possibilitou a abertura de portas na IEAB para outras reverendas, diáconas, presbíteras e, recentemente, a primeira bispa anglicana do Brasil (e da América do Sul), Marinez Rosa Bassotto[13] – que, aliás, é coautora em um excelente artigo sobre as mulheres e a eleição episcopal, para quem desejar mais aprofundamento[14]).

A Igreja deve repensar como se relaciona com as novas dinâmicas na configuração da sociedade contemporânea, uma vez que caíram por terra as funções limitadas ao gênero: mulheres trabalham, estudam, encabeçam seus lares, não precisam necessariamente se casar. Não obstante, a pressão da tradição, especialmente cristã, ainda oprime irmãs que buscam o sacerdócio feminino. Cada vez mais se faz urgente uma releitura dos textos bíblicos e da nossa forma de enxergar a Bíblia, que por vezes faz mulheres reprimirem seus dons para mestras e pastoras.

As sementes da isonomia de gênero plantadas na primeira metade do século, que viraram árvores no pós segunda guerra, estão dando seus frutos, inclusive no modo como enxergamos e experimentamos a liturgia anglicana, sendo que esta, por sua vez,    as demais vertentes cristãs.

Por fim, uno-me ao clamor de  Carmen Etel, para que os homens também se empenhem em ajudar a quebrar o sexismo, uma vez que, invariavelmente, a construção de uma sociedade igualitária passa por todos os seus componentes.

 

Que a Ruah Divina[15] seja louvada e que muitos outros fatos sejam possíveis na história da ordenação feminina na IEAB!

25 de março de 2019  projetoredomas 0 Comments episcopado, igreja anglicana, invisíveis, mulheres do cristianismo, mulheres na igreja

Carmen Etel: a primeira reverenda da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)

28 de maio – MARIANA DE JESUS DE PAREDES

abr 28 2020

Presença feminina  (Companheira Devocional , 231e 232)

MARIANA DE JESUS DE PAREDES (1645)

28 de Maio, Ordem Terceira   

     Mariana nasceu em Quito, Equador, e, tendo perdido seus pais quando criança, se dedicou a Deus. Não podendo entrar num monastério, ela abraçou a vida ascética na sua própria casa, se dedicando à oração, jejum e atos de piedade. Depois de se unir à Ordem Terceira, ela se empenhou também em ajudar os índios nativos e afro-americanos em todo tipo de atividades caridosas. Deus também favoreceu Mariana com extraordinários dons místicos: com o sinal da Cruz ou aspergindo água benta, ela restabeleceu a saúde a muitos dos doentes e trouxe uma mulher morta de volta à vida. Depois da sua morte, um bonito lírio brotou do seu sangue;* por isso ela foi chamada de “Lírio de Quito”.

Coleta: Pai divino, tu achaste por bem fazer a Mariana crescer como um lírio entre os espinhos das tentações do mundo. Possamos nós, pelo exemplo dela, ser protegidos dos vícios e procurar a perfeição; por Jesus Cristo, teu Filho que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, por todo o sempre. Amém.

 

“*Além das penitências procuradas, Mariana queria sofrer ainda mais por amor de Deus. Recebeu então como dádiva diversas moléstias dolorosas, o que a obrigava a ser sangrada muitas vezes. Uma empregada pegava esse sangue e jogava num buraco no jardim, onde ele permanecia rubro como se estivesse fresco. Depois da morte da santa, nele brotou um lírio de admirável beleza”. http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/28/mes/Maio2001

16 de maio – MARGARET DE CORTONA

abr 28 2020

(Companheira Devocional , 231)

MARGARET DE CORTONA (1297),16 de maio, 3ªOrdem

   Margaret era uma mulher bonita, amante de um nobre jovem durante nove anos, com quem teve um bebê. Por estes anos ela tinha dúvidas sobre a sua situação, mas, como Santo Agostinho, ela orava por pureza – “mas não agora”. Um dia, ela encontrou seu amante assassinado e o crime a levou a uma vida de penitência; ela se tornou terciária em 1277. Alguns duvidaram da sinceridade do seu arrependimento. Apesar do ceticismo e da calúnia, ela fundou um hospital, se preocupou com os doentes e converteu muitos pelas suas orações e conselhos.

Coleta: Deus de clemência dá-nos a graça de que verdadeiramente possamos nos arrepender de nossos pecados seguindo o exemplo de tua criada, Margaret de Cortona, e que, por uma fé viva, possamos obter perdão completo; pelos méritos de Jesus Cristo nosso Deus. Amém.

9 de Maio – CATARINA DE BOLONHA

abr 28 2020

(Companheira Devocional , 229) 

9 de maio – CATARINA DE BOLONHA (1463) 

Ordens Segunda e Terceira

            Enquanto criança, Catarina de Bolonha era dama de honra numa corte real. Com 14 anos, ela se juntou a um grupo de terciários franciscanos que depois se tornaram Clarissas Pobres. Em 1456, ela voltou ao local de seu nascimento como abadessa de um novo convento. Desde jovem, Catarina estava sujeita a visões. Ela também foi efetiva diretora de noviças e superiora e tinha talento para caligrafia e pintura em miniaturas.

Coleta: Concede, ó Deus que nós, teus servos, possamos ser ajudados pelo exemplo de Santa Catarina que pelo doce odor das suas virtudes, possamos jubilosos ser atraídos ao teu santuário. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

30 de maio – Joana D’Arc

maio 29 2019

a) JOANA D’ARC (1431), 30 de Maio        (Companheira Devocional , 231 e 232)

Protetora da Ordem Terceira da França,

     Joana d’ Arc, a “Donzela de Orleans”, foi chamada a capitanear os exércitos franceses durante a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra. Sua coragem, suas visões e as vozes angelicais que a aconselhavam, junto com a traição pela qual ela foi entregue aos ingleses que a condenaram ao fogo, tem capturado a imaginação até dos escritores mais céticos (Bernard Shaw em Santa Joana e Mark Twain em A História de Joana d’ Arc). Joana foi membro da Ordem Terceira que deixou uma vida calma como filha de um camponês e pastora para fazer a vontade de Deus.

Coleta: Ó Deus que maravilhosamente escolheu a bem-aventurada Joana para a proteção da sua fé e sua pátria: Concede que por tua graça, o exemplo dela possa permitir que tua Igreja supere todos os ardis dos seus inimigos e se alegre em unidade e concórdia. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

 

b) Joana D’Arc

Joana nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, pertencente ao Ducado de Lorena, na França. Filha de camponeses trabalhadores e honrados, ela viveu ali sua infância, como qualquer outra menina de sua idade. Ocupava-se de trabalhos domésticos e, às vezes, pastoreava rebanhos de ovelhas do pai.

Chamada desde criança

Desde a infância Joana demonstrava uma piedade singular. Sentia-se atraída à contemplação, gostava de subir a lugares elevados para contemplar o panorama. Gostava muito de participar das celebrações na igreja e teve grande interesse em aprender o catecismo e a doutrina católica.

Um anjo guiando nos caminhos de Deus

Aos treze anos Joana começou a ouvir uma voz, que lhe orientava no caminho de Deus. Veja como ela mesma narrou esses fatos com muita simplicidade: “Quando eu tinha mais ou menos 13 anos, ouvi a voz de Deus que veio ajudar-me a me governar. Eu ouvi a voz do lado direito, quando ia para a Igreja. Depois que ouvi esta voz três vezes, percebi que era a voz de um anjo. Ela me ensinou a me conduzir bem e a frequentar a igreja”. Há um detalhe muito importante nessa fala: segundo ela mesma afirma, a voz veio para ajudá-la a governar a si mesma, ou seja, o anjo de Deus ensina a adolescente Joana a ter autodomínio, um fruto do Espírito Santo. Mais tarde ela descobriu que era São Miguel Arcanjo quem falava com ela e que ela deveria partir em socorro do rei da França.

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