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31 de março – John Donne

mar 30 2021

John Donne
John Mayra Donne (1572 – 31 de março de 1631) foi um poeta jacobita inglês, pregador e o maior representante dos poetas metafísicos da época. Sua obra é notável por seu estilo sensual e realista, incluindo-se sonetos, poesia amorosa, poemas religiosos, traduções do latim, epigramas, elegias, canções, sátiras e sermões. Sua poesia é célebre por sua linguagem vibrante e metáfora engenhosa, especialmente quando comparada à poesia de seus contemporâneos.

Apesar de sua boa educação e seu talento para a poesia, viveu na pobreza por muitos anos, contando demasiadamente com amigos mais ricos. Em 1615, tornou-se um pastor anglicano e, em 1621, foi nomeado decano da St. Paul Cathedral, em Londres. Alguns estudiosos acreditam que as obras literárias de Donne refletem as seguintes tendências: poesia amorosa e sátiras quando era mais jovem e sermões religiosos em sua velhice. Outros estudiosos, tais como Helen Gardner, questiona a validade desta periodização, pois muitos de seus poemas foram publicados postumamente (1633). Exceção feita a Anniversaries, que foi publicado em 1612 e Devotions upon Emergent Occasions, publicado em 1623. Seus sermãos também são datados, algumas vezes de forma específica, informando dia, mês e ano.

John Donne nasceu em Londres, Inglaterra, por volta do final do ano de 1571 ou entre janeiro e 19 de junho de 1572; foi o terceiro de uma família de seis filhos. Seu pai, de ascendência galesa e também chamado John Donne, era administrador da Ironmongers Company na cidade de Londres e um respeitável católico, o qual evitava a atenção de governo indesejável, sem ter medo de ser perseguido por seu catolicismo. O pai de John Donne morreu em 1576, deixando para sua esposa, Elizabeth Heywood, a responsabilidade de criar seus filhos. Elizabeth Heywood, também proveniente de uma célebre família católica, era a filha de John Heywood, o dramaturgo, e irmã de Jasper Heywood, o tradutor e jesuíta. Ela era sobrinha-neta do mártir católico Thomas More. Essa tradição de martírio continuaria entre os parentes mais próximos de John Donne, sendo muitos deles executados ou exilados por razões religiosas. Apesar dos perigos óbvios, a família de Donne arranjou para que recebesse educação religiosa, a qual lhe conferiu um conhecimento profundo de sua religião, que o equipou para os conflitos ideológico-religiosos de sua época. Elizabeth Donne, nascida Heywood, casou-se, poucos meses depois da morte de seu marido, com o Dr. John Syminges, um viúvo rico com três filhos. No ano de 1577, Elizabeth, irmã de John Donne, morreu, assim como mais outras duas, Mary e Katherine, em 1581. Antes que o futuro poeta completasse dez anos de idade, experimentou a morte de quatro entes próximos.

Donne foi um estudante na Hart Hall, agora conhecida como Hertford College, Oxford, a partir dos 11 anos. Três anos depois, foi admitido na Universidade de Cambridge, onde estudou por mais três anos. Não obteve o diploma em ambas as universidades, porque recusou-se a a fazer o Juramento de Supremacia exigido dos formandos. Em 1591, Donne foi aceito como estudante na escola legal de Thavies Inn, uma das Inns of Court¨em Londres. Em 1592, foi admitido na Lincoln’s Inn, mais uma das Inns of Court. Seu irmão Henry era, também, um aluno antes de sua prisão em 1593 por abrigar um padre católico. Henry Donne morreu na prisão de peste bubônica, fazendo com que John Donne começasse a questionar sua fé no catolicismo.

Durante e depois de seus estudos, Donne gastou uma boa parte de sua considerável herança com mulheres, literatura, hobbies e viagens. Embora não haja qualquer registro informando precisamente para onde viajou, sabe-se que visitou o continente europeu e, mais tarde, lutou junto com o Conde de Essex e Sir Walter Raleigh contra os espanhóis em Cádiz (1596) e em Açores (1597), testemunhando a derrota da nau almirante espanhola São Felipe e sua tripulação.Viajou pela Itália e, depois, na Espanha, observando bastante esses países, suas leis e forma de governo, conseguindo aprender perfeitamente seus respectivos idiomas.
Aos 25 anos, encontrava-se bem preparado para a carreira diplomática, a qual parecia almejar. Foi nomeado secretário de Sir Thomas Egerton, 1º Visconde de Brackley e Lord Keeper of the Great Seal, estabelecendo-se na casa de Egerton em Londres, York House, Strand, próxima ao Palácio de Whitehall, o maior centro social da Inglaterra naquela época. Durante os quatro anos seguintes, Donne apaixonou-se pela sobrinha de Egerton, Anne More, uma adolescente de 17 anos (alguns dizem que tinha 16 ou 14 anos), casando-se secretamente em 1601 contra o desejo tanto de Egerton quanto de seu pai, George More, Tenente da Torre. Este passo arruinou sua carreira, custando-lhe um pequeno período na Prisão Fleet junto com o padre que os casou e o homem que servira como testemunha no casamento. Donne foi solto quando o casamento foi provado válido, assegurando a soltura dos outros dois também. Walton nos diz que, quando escreveu a sua esposa a fim de dizer-lhe sobre a perda de seu posto, ele escreveu após seu nome: John Donne, Anne Donne, Un-done. Donne conseguiu reconciliar-se com seu sogro no ano de 1609, recebendo o dote de sua esposa.

Após sua soltura, Donne teve de aceitar uma vida calma e interiorana em Pyrford, Surrey. Nos anos seguintes, viveu com dificuldades exercendo o ofício de advogado, dependendo do primo de sua esposa, Sir Francis Wolly, que albergava a ele, sua esposa e filhos. Como Anne Donne tinha um filho praticamente a cada ano, foi um gesto generoso da parte de seu primo.

Embora exercesse a advocacia e trabalhasse como panfletário assistente do bispo Thomas Morton, estava em um estado de constante insegurança financeira, tendo que cuidar de uma família sempre em crescimento. Antes de sua morte, Anne deu-lhe onze filhos (incluindo-se os que nasceram mortos). Os nove que viveram receberam os seguintes nomes: Constance, John, George, Francis, Lucy (em homenagem a protetora de Donne, Lucy, Condessa de Bedford, sua madrinha), Bridget, Mary, Nicholas e Margaret. Francis e Mary morreram antes de completarem dez anos de idade. Em desespero, John percebeu que a morte de uma criança significaria uma boca a menos para alimentar, mas não tinha como pagar as custas do enterro. Durante esse período, Donne escreveu, mas não publicou, Biathanatos, sua ousada defesa do suicídio.

Primeiras poesias
Os primeiros poemas de Donne mostravam um brilhante conhecimento da sociedade inglesa, em conjunto com uma crítica sutil de seus problemas. Suas sátiras baseavam-se em tópicos elisabetanos, tais como corrupção no sistema legal, poetas medíocres, e pomposos homens da corte, sobressaindo devido a sua sofisticação intelectual e extraordinária figura de retórica. Suas imagens de doença, vômito, estrume e peste o ajudaram na criação de um forte mundo satírico, povoado por todos os idiotas e velhacos da Inglaterra. Sua terceira sátira, entretanto, fala sobre a problemática da verdadeira religião, um assunto de grande importância para Donne. Ele argumenta que seria melhor examinar cuidadosamente a convicção religiosa de alguém, do que seguir cegamente qualquer tradição estabelecida, pois ninguém seria salvo no Juízo Final apenas por dizer que “um tal Harry ou Martin me ensinou isso”.[6]

O início da carreira de Donne também foi notável no que se refere a sua poesia erótica, especialmente suas elegias, nas quais empregou metáforas não convencionais, tal como “uma pulga mordendo dois amantes” relacionando com “sexo”.[7] Em sua Elegia XIX, To His Mistress Going to Bed, ele praticamente despe sua amante e comparou as carícias à exploração da América. Na Elegia XVIII, ele compara a lacuna entre os seios de sua amante com o Helesponto.[7] Donne não publicou esses poemas, embora permitisse que os mesmos circulassem largamente na forma de manuscrito.[7]

Como a poesia amorosa estava na moda àquela época, há diferentes opiniões sobre se os poemas de amor que Donne escreveu eram endereçados a sua esposa Anne, mas é provável que sim. Ela passou a maior parte de seu casamento ou grávida ou cuidando das crianças, o que se supõe tivessem uma grande atração física. Em 15 de agosto de 1617, sua esposa morre cinco dias depois de dar à luz um bebê morto em seu ventre; seu décimo segundo filho em um casamento de dezesseis anos. Donne sofreu muito com sua morte e escreveu a obra Holy Sonnets.[5] Ele nunca se casou novamente, o que era bastante incomum para a época, especialmente porque tinha uma grande família para cuidar.

Carreira e 3ª idade
Donne foi eleito como membro do parlamento de Brackley em 1602, mas não era um emprego remunerado e Donne esforçou-se para dar algo a sua família, dependendo excessivamente de amigos ricos.[5] A moda da poesia costeira da época deu a ele meios para de procurar apoio e muitos de seus poemas foram escritos para amigos ricos e clientes, especialmente Sir Robert Drury, que se tornou chefe de John Done em 1610.[7] Foi para Sir Robert que Donne escreveu Anniversaries, (1611), e Of the Progress of the Soul, (1612). Historiadores não estão certos a respeito das razões pelas quais Donne deixou a Igreja Católica; ele, certamente, comunicava-se com o rei Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra e, em 1610 e 1611, ele escreveu dois artigos polêmicos contra a Igreja Católica: Pseudo-Martyr e Ignatius his Conclave.[5] Embora James estivesse satisfeito com o trabalho de Donne, ele recusou a se reintegrar na corte e, ao invés disso, apressou-se em ordenar-se pastor.[4] Embora Donne, logo de início, relutasse, devido ao sentimento despresível a respeito de uma carreira clerical, Donne finalmente concordou com o desejo do rei e foi ordenado pastor pela Igreja Anglicana em 1615.[7]


Meses antes de sua morte, Donne pediu que o retratassem como pareceria quando saísse de sua sepultura na época do Apocalipse.[9] Ele pendurou o retrato em uma das paredes de sua casa como um lembrete da transição da vida.
Donne tornou-se capelão no final de 1615, professor de teologia na Lincoln’s Inn em 1616, e recebeu o título de Doutor em teologia pela Universidade de Cambridge em 1618.[5] Mais tarde, no mesmo ano, Donne tornou-se o capelão do Visconde de Doncaster, o qual estava na embaixada dos Príncipes germânicos. Donne não retornou para sua terra natal até o ano de 1620.[5] Em 1621, Donne foi nomeado Decano da St Paul Cathedral, uma posição de liderança (e bem remunerada) na Igreja da Inglaterra, onde permaneceu até sua morte em 1631. Durante o período como Decano, sua filha Lucy morre aos dezoito anos de idade. Foi no final de novembro e início de dezembro de 1623 que ela começou a sofrer por causa de uma doença fatal, podendo ser tifo ou uma combinação de gripe, seguida por uma febre incessante durante sete dias. Durante a sua convalescença, Donne escreveu uma série de reflexões e orações sobre saúde, dor e doença, as quais foram publicadas em formato de livro em 1624 com o título Devotions upon Emergent Occasions. Meditation XVII Mais tarde, Meditation XVII tornou-se conhecida por sua frase “for whom the bell tolls” (por quem os sinos dobram) e pela declaração “no man is an island” (nenhum homem é uma ilha). Em 1624 tornou-se Vigário da St Dunstan-in-the-West e em 1625, Capelão de Charles I.[5] Dono de uma boa reputação, ficou conhecido como um pregador eloquente e impressionante e 160 de seus sermões sobreviveram, incluindo-se o famoso Death’s Duel sermon, feito no Palácio de Whitehall, perante o rei Charles I, em fevereiro de 1631. Acredita-se que sua doença fatal foi câncer de estômago. Ele morreu em 31 de março de 1631, sem nunca ter publicado um poema em toda sua vida, porém deixando uma obra rica em conflitos intelectuais e emocionais de sua época. John Donne foi enterrado em St Paul, onde uma estátua sua foi erigida (tendo como modelo um desenho que estava em sua mortalha), com um epígrafe em latim provavelmente escrito por ele mesmo.
Poesia posterior
“A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
Suas doenças, problemas financeiros e as mortes de seus amigos contribuíram para o desenvolvimento de um tom mais sombrio e piedoso em seus poemas.[7] Essa mudança pode ser claramente observada em An Anatomy of the World (1611), um poema que Donne escreveu em memória de Elizabeth Drury, filha de seu protetor, Sir Robert Drury. Esse poema trata do faleciimento de Elizabeth com extrema melancolia, usando-o como um símbolo para a Queda do homem e a destruição do universo.[7]

O poema A Nocturnal upon S. Lucy’s Day, sendo o dia mais curto, fala sobre a preocupação e desespero do poeta com a morte de um ente querido. Nele, Donne expressa um sentimento de total negação e desesperança, dizendo que “Eu sou cada coisa morta… recriado / De ausência, escuridão, morte”. Esse trabalho famoso foi escrito provavelmente em 1627, quando tanto Lucy, Condessa de Bedford, e sua filha Lucy Donne, morreram. É interessante notar que, três anos depois, Donne escreveu seu testamento no dia de Santa Lúcia, 13 de dezembro, data que o poema descreve como “Meia-noite profunda tanto do dia quanto do ano”.

A crescente melancolia no tom de Donne também pode ser observado nos trabalhos religiosos que começou a escrever durante a mesma época. Anteriormente, possuía uma crença no ceticismo muito grande e, aos poucos, foi dando lugar a uma fé forte nos ensinamentos tradicionais da bíblia. Convertido à Igreja Anglicana, Donne concentrou sua carreira literária na literatura religiosa. Tornou-se célebre por seus sermões profundamente mundanos e seus poemas religiosos. As linhas ardentes desses sermões influenciaria trabalhos futuros da literatura inglesa, tais como Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, que recebeu esse título a partir da passagem na Meditation XVII, e Homem Algum é Uma Ilha, de Thomas Merton, que recebeu esse título a partir da mesma fonte.

Já perto do fim de sua vida, Donne produziu trabalhos que desafiaram a morte e o medo que ela inspirava em muitos homens, baseados em sua crença de que aqueles que morrem são enviados ao céu para viver a vida eterna. Um exemplo deste desafio é o seu Holy Sonnet X, do qual provém as seguintes linhas “Morte, não se orgulhe, embora alguns a tenham chamado / Poderosa e terrível, não trabalhe assim”. Mesmo morrendo durante a Quaresma em 1631, levantou-se da cama e leu o sermão Duelo de Morte, o qual foi considerado o sermão de seu próprio funeral. Duelo de Morte mostra a vida como uma descida estável de sofrimento e morte, porém percebe esperança na salvação e imortalidade através de Deus, Cristo e da Ressurreição.
Legado:John Donne é homenageado como pastor tanto pelo calendário hagiológico da Igreja Anglicana como pelo da Igreja Luterana nos Estados Unidos no dia 31 de março.
O monumento a John Donne, foi um dos poucos monumentos que conseguiu sobreviver ao Grande Incêndio de Londres em 1666 e, agora, está ao lado da St Paul’s Cathedral, no lado sul do coro.
Fonte: Livre tradução da Wikipedia por JBS em 31 03 2021

24 de março – Oscar Romero

mar 22 2021

Santo Oscar Romero
Oscar Arnulfo Romero Y Gadamez nasceu em 15 de agosto de 1917, em Ciudad Barrios, em El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Com apenas 13 anos entrou no seminário. Foi para Roma completar o curso de teologia com 20 anos e se ordenou sacerdote, em 1943.

Retornou a El Salvador, na função de pároco. Era um sacerdote generoso e atuante: visitava os doentes, lecionava religião nas escolas, foi capelão do presídio; os pobres carentes faziam fila na porta de sua casa paroquial, pedindo e recebendo ajuda. Durante 26 anos, na função de vigário, padre Oscar Romero conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país.

A maioria dos países sul-americana vivia duras experiências de ditaduras militares, na década de 1970. Também para El Salvador era um período de grandes conflitos. Em 1977, padre Oscar Romero foi nomeado Arcebispo de El Salvador, chegando à capital com fama de conservador. No fundo era um homem do povo, simples, de profunda sensibilidade para com os sofrimentos da maioria, de firme perspicácia aliada à coragem de decisão.

Em 1979, o presidente do país foi deposto pelo golpe militar. A ditadura se instalou no país e, pouco a pouco, se acirrou a violência. Reinou o caos político, econômico e institucional no país. De janeiro a março de 1980 foram assassinados 1015 salvadorenhos. Os responsáveis pertenciam às forças de segurança e às organizações conservadoras do regime militar instalado no país.

Nessa ocasião, dois sacerdotes foram assassinados violentamente por defenderem os camponeses, que foram pedir abrigo em suas paróquias. Dom Romero teve que se posicionar e, de pronto, se colocou no meio do conflito. Não para aumentá-lo, mas para ajudar a resolvê-lo. Esta atitude revelou o quando sua espiritualidade foi realista e o seu coração, sereno e obediente ao Evangelho.

No dia 24 de março de 1980, Dom Romero foi fuzilado, em meio aos doentes de câncer e enfermeiros, enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador.

Sua ação pastoral visava ao entendimento mútuo entre os salvadorenhos. Criticava duramente tanto a inércia do governo, as interferências estrangeiras, como as injustiças praticadas pelos grupos “revolucionários”. O Arcebispo Dom Oscar Arnulfo Romero foi fiel a Igreja, e pagou com a vida o preço de ser discípulo de Cristo. O seu nome foi incluído na relação dos 1015 salvadorenhos que foram assassinados, em 1980.

Em 23 de maio de 2015 aconteceu a beatificação de Dom Oscar Romero e em 14 de outubro de 2018, Romero foi canonizado.

Dom Oscar Romero nas palavras do Papa Francisco:

“O mundo mudou muito desde aquele longínquo 1980, mas o pastor de um pequeno país da América Central fala mais forte. Não deixa de ser significativo que sua beatificação tenha lugar enquanto na cátedra de Pedro está, pela primeira vez na história, um papa latino-americano, que quer uma ‘Igreja pobre para os pobres’.”

Dom Oscar Romero nas palavras do amigo Dom Pedro Casaldáliga, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia:

SÃO ROMERO DE AMÉRICA PASTOR E MÁRTIR

O anjo do Senhor anunciou na véspera…
O coração de El Salvador marcava
24 de março e de agonia

Tu ofertavas o Pão,
O Corpo Vivo
– o triturado Corpo de teu Povo:
Seu derramado Sangue vitoriosa
– O sangue “campesino” de teu Povo em massacre
que há de tingir em vinhos e alegria a Aurora conjurada!

O anjo do Senhor anunciou na véspera
e o verbo se fez morte, outra vez, em tua morte.
Como se faz morte, cada dia, na carne desnuda de teu Povo.

E se fez vida Nova
Em nossa velha Igreja!
Estamos outra vez em pé de Testemunho,
São Romero de América, pastor e mártir nosso!
Romero de uma Paz quase impossível, nesta Terra em guerra.
Romero em roxa flor morada da Esperança incólume de todo Continente
Romero desta Páscoa latino-americana.

Pobre pastor glorioso,
assassinado a soldo,
a dólar
a divisa.
Como Jesus, por ordem de Império.
Pobre pastor glorioso,
abandonado
por teus próprios irmãos de Báculo e de Mesa.
(As Cúrias não podiam entender-te:
Nenhuma Sinagoga bem montada pode entender a Cristo)

Tua pobreza sim te acompanha,
em desespero fiel,
pastor e rebanho, a um tempo, de tua missão profética.
O Povo te fez santo.
A hora do teu Povo te consagrou no “Kairós”.
Os Pobres te ensinaram a ler o Evangelho.

Como um Irmão
ferido
por tanta morte irmã,
tu sabias chorar, a sós, no Horto.
Sabias ter medo, como um homem em combate.
Porém sabias dar a tua palavra,
livre,
o seu timbre de sino.
E soubeste beber
O duplo cálice
do Altar e do Povo
com essa mesma mão consagrada ao Serviço.
América Latina já te elevou à glória de Bernini
– na espuma-auréola de seus mares,
no retábulo antigo de seus Andes,
no dossel irado de todas suas florestas,
na cantiga de todos seus caminhos,
no calvário novo de todos os seus cárceres,
de todas suas trincheiras
de todos seus altares…
na ara garantida do coração insone de seus filhos!
São Romero de América, pastor e mártir nosso,
ninguém
há de calar
tua última homilia!

22 de março – Dia Mundial da Água

mar 21 2021

22 de março – Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março e apresenta como objetivo colocar em discussão assuntos importantes relacionados com esse recurso natural. Como sabemos, a vida no planeta só é possível graças à presença de água, desse modo, cuidar das fontes de água é fundamental para a nossa sobrevivência. O corpo humano, por exemplo, necessita de água para diversos processos, como a manutenção da temperatura corpórea e o transporte de substâncias.

Origem e importância do Dia Mundial da Água
Diante da importância da água para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível, surgiu o Dia Mundial da Água. Essa data foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema.

O Dia Mundial da Água é uma data para refletirmos a respeito da importância de preservar os recursos hídricos.
No dia 22 de março de 1992, a ONU, além de instituir o Dia Mundial da Água, divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que é ordenada em dez artigos. Veja a seguir alguns trechos dessa declaração:

1- A água faz parte do patrimônio do planeta;

2 – A água é a seiva do nosso planeta;

3 – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;

4 – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;

5 – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;

6 – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;

7 – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada;

8 – A utilização da água implica respeito à lei;

9 – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;

10 – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-da-agua.htm

 

21 de março – Dia Internacional Contra a Discriminação Social

mar 17 2021

Dia Internacional contra a Discriminação Racial

Esta é uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo.

A luta contra a discriminação racial só começou a se intensificar no Brasil após a Constituição Federal de 1988, que incluía o crime de racismo como inafiançável e imprescritível.

A eliminação de qualquer tipo de discriminação é um dos pontos centrais da Declaração Universal das Nações Unidas:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” (Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial).

ONG’s e instituições contra o preconceito racial organizam debates e outras atividades que auxiliem na tentativa de conscientizar a população a acabar com qualquer referência ao racismo e discriminação racial.

Infelizmente, ainda hoje o preconceito e discriminação racial é latente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Quando se fala em “combate a discriminação racial” significa acabar com todos os tipos de intolerâncias relacionadas com a etnia ou cor de pele do indivíduo, seja ele negro, branco, índio, oriental e etc.

Origem do Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

O Dia Internacional contra a Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), de acordo com a Resolução A/RES/2142 (XXI) de 1966, em memória ao “Massacre de Shaperville”, em 21 de março de 1960.

Nesta data, aproximadamente vinte mil pessoas protestavam contra a “lei do passe”, em Joanesburgo, na África do Sul. Esta lei obrigava os negros a andarem com identificações que limitavam os locais por onde poderiam circular dentro da cidade.

Tropas militares do Apartheid atacaram os manifestantes e mataram 69 pessoas, além de ferir uma centena de outras.

Em homenagem à luta e memória desses manifestantes, o Dia Internacional contra a Discriminação Racial é comemorado em 21 de março.

Fonte: https://www.calendarr.com/brasil/dia-internacional-contra-a-discriminacao-racial/

20 de março – Thomas Ken

mar 17 2021

Thomas Ken

Nasceu em julho de 1637, Little Berkhampstead, Hertfordshire, Inglaterra. Faleceu: 19 de março de 1711, Longleat, Wiltshire, Inglaterra. Enterrado: Frome, Somerset, Inglaterra.

Thomas Ken (ou: Kenn) freqüentou de 1652 a 1656 o colégio em Winchester. A partir de 1656 estudou na Universidade em Oxford. Colou o grau de Bacharel em 1661, e de Magister em 1664. Foi ordenado um padre anglicano em 1662. Em 1663, ele se tornou o Reitor de Little Easton, e em 1669 Reitor de Woodhay e Prebendary de Winchester. Depois foi capelão particular do Bispo de Winchester. Em 1674, como capelão no colégio em Winchester, ele publicou um Manual de Orações para o uso dos estudantes da Faculdade em Winchester.

No ano de 1675 fez uma viagem a Itália e Alemanha. Em 1679 era por breve tempo o capelão da Princesa Mary (a qual era casada com o príncipe Guilherme da casa holandesa de Orange, de confissão protestante). No ano seguinte tornou-se capelão de Charles II, e em 1683 capelão da frota britânica.

Em 1685 assumiu o cargo de Bispo de Bath e Wells. Como tal envolveu-se depois na rebelião de Monmouth, coletando grandes somas em benefício dos refugiados huguenotes. Por isso, em 1888, entrou em conflito com o rei James II, o qual esperava restabelecer o catolicismo na Inglaterra. Thomas Ken era um dos sete bispos presos na Torre de Londres por recusar-se a ler em público a Declaração de Indulgência de James II. Mas após breve tempo ele foi absolvido. Depois da revolução de 1689 ele recusou-se a prestar o juramento ao novo rei Guilherme III; por isso ele foi exonerado do cargo de Bispo em 1691. Depois ele viveu, até sua morte, em Longleat, recebendo uma pensão do seu protetor Visconde Weymouth. Em 1702 não aceitou o cargo de bispo de volta, quando a rainha Anne o queria reabilitar.

Ken escreveu muitas poesias, que foram publicadas em 1721, dez anos após sua morte. O hino Praise God, from Whom All Blessings Flow é de sua autoria. Tradução em alemão = Preist Gott, der alles Segens voll (EG, 18ª ed. nº 483). A tradução em português é de Lindolfo Weingärtner (em 1970), no HPD nº 259 Bendito seja o Deus de amor, com melodia do Saltério de Genebra de 1551, da autoria de Louis Bourgeois (1510-1561)

Fontes: Günther Thomann Ken, Thomas em BBKL, Volume III (1992) Colunas 1343-1345 www.bautz.de/bbkl e www.cyberhymnal.org/