Category: Santos mês 11

25 de novembro – Catarina de Alexandria

nov 20 2020

Santa Catarina de Alexandria

Muito confundida com Santa Catarina de Sena, Santa Catarina de Alexandria nasceu em Alexandria, no Egito, por volta do ano 287 d.C. Filha do rei Costus, Catarina era dotada de grande beleza e vasta inteligência: com apenas treze anos, já era mestra nas artes e aos 17 era considerada a mais bela e mais sábia mulher do império.

Com o falecimento do pai, Catarina e sua mãe se mudaram para as montanhas da Cilícia, onde hoje é localizada a Turquia. Lá, ela conheceu o sacerdote Ananias, que iniciou a jovem na fé cristã. Dotada de grande educação religiosa, Catarina resolve voltar para Alexandria após receber o santo batismo. Com o seu vasto conhecimento, a jovem era capaz de discutir com desenvoltura assuntos como política, filosofia e religião, o que fez com que ganhasse grande respeito dos súditos da corte.

Contato com a religião

Como naquele tempo a fé cristã era perseguida pelo Império Romano, Santa Catarina de Alexandria decidiu apresentar-se, em nome de Deus, diante do imperador Maximiano para protestar contra a execução dos cristãos. Conta-se que Maximiano se apaixonou pela jovem e, para fazê-la abandonar sua fé e casar-se com ele, ordenou que cinquenta filósofos tentassem convencê-la de que Jesus Cristo não poderia ser Deus. Porém, utilizando seus conhecimentos teológicos e grande capacidade de argumentação, Catarina fez com que os sábios fossem iluminados pela graça e aderissem ao cristianismo.

Devido à recusa de Catarina em abandonar a sua fé e se tornar imperatriz, Maximiano resolveu se vingar e, após ordenar a morte dos filósofos, resolveu submeter a jovem ao cárcere e à tortura.

O martírio de Santa Catarina

Condenada ao martírio da roda, armada de serras e pontas, Catarina elevou seus olhos ao Senhor, orou e fez o sinal da cruz. A roda, então, se desmontou antes de tocar o seu corpo. Esse milagre fortaleceu a fé de Catarina e a do povo cristão, o que deixou o imperador ainda mais transtornado. Assim, Maximiano condenou a jovem à morte.

Em 25 de novembro do ano 305 Catarina foi decapitada. Segundo a lenda, no lugar de sangue, jorrou leite de seu pescoço. Por isso, a santa é considerada como protetora das mães que amamentam.

Seu corpo foi sepultado no Monte Sinai, onde hoje está localizado o Mosteiro de Santa Catarina.

Dia de Santa Catarina

Em homenagem ao sacrifício de Catarina de Alexandria e à sua luta pela evangelização do povo, no dia 25 de novembro é celebrado o Dia de Santa Catarina.

Fonte: https://rumodafe.com.br/santa-catarina-de-alexandria/

 

22 de novembro – Santa Cecília

nov 16 2020

22 de novembro – Santa Cecília

Santa Cecília nasceu provavelmente no ano 150, em Roma. Era filha de um Senador Romano, da família nobre dos Metelos. Era cristã, e desde pequena fez voto de castidade para viver o Amor de Deus e de Cristo. Como cristã numa época tão antiga, e em Roma, ela certamente herdou a fé dos discípulos de São Paulo, que levou a fé até Roma, e de São Pedro, o primeiro papa.

Cecília herdou a fé desses santos homens e de tantos outros que foram martirizados exatamente em Roma. O cristianismo que Cecília recebeu em sua formação, era o cristianismo dos mártires, dos heróis da fé. Cecília foi cristã numa Igreja perseguida, numa Igreja que ainda era minoritária, porém, cheia de profunda fé, esperança e coragem.

História de Santa Cecília

No transcorrer normal de sua vida, quando jovem ela foi prometida e dada em casamento a um jovem chamado Valeriano. No dia do casamento ela estava muito triste. Então, ela  chamou seu noivo disse a ele toda verdade sobre sua fé. Disse que tinha feito voto de castidade para Deus, e começou a falar das glórias de Deus e de Jesus Cristo ao jovem, que a ouvia boquiaberto com a força de suas palavras e a convicção que vinha de seu coração.

Tamanho foi o poder das palavras de Cecília que, após ouvi-la, ele se converteu, entendeu a promessa de sua noiva e disse que iria respeitá-la em sua decisão. Naquela mesma noite ele recebeu o batismo. Valeriano contou o que ocorrera para seu irmão Tiburcio e este também, impressionado, se converteu. Ambos eram pagãos.

A primeira canção de Santa Cecília

Santa Cecília, então, vendo a maravilha que Deus estava operando através dela, agradecida, cantou para Deus: Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida. Foi um canto inspirado e emocionante, que tocou profundamente o coração de todos. Daí vem o fato de ela ser considerada a padroeira dos músicos cristãos.

O prefeito de Roma, Turcius Almachius, teve conhecimento da conversão dos dois irmãos e quis o tesouro dos dois irmãos nobres e ricos. Os dois irmãos, porém, já tinham distribuído todos os seus bens aos pobres. O prefeito de Roma exigiu, então, sob pena de morte, que os dois abandonassem a nova fé. Os dois, porém, alimentados com a força do cristianismo nascente e cheios do poder de Deus, não renegaram sua fé. Assim, foram condenados à morte e decapitados.

Milagres de Santa Cecília

Santa Cecília foi chamada ao conselho romano logo em seguida. Isso aconteceu  provavelmente no ano 180. O conselho exigiu primeiro que ela revelasse onde estaria o tesouro dos dois irmãos. Ela disse que tudo já tinha sido distribuído aos pobres.

O prefeito, furioso, exigiu que ela renunciasse a fé cristã e adorasse aos deuses romanos. Cecília negou-se mostrando muita coragem e serenidade diante de todos. Condenaram-na à tortura. Mas, estando ela diante dos soldados romanos para ser torturada, ela falou a eles sobre as maravilhas de Deus, sobre a verdadeira religião, sobre sentido da vida, que é o seguimento de Jesus Cristo. Os soldados, maravilhados com uma mensagem que nunca tinham ouvido, ficaram do lado de Cecília, dizendo que iriam abandonar o culto aos deuses. Essas inúmeras conversões foram milagres que Deus operou através de Santa Cecília para que essas pessoas alcançassem a felicidade  e a salvação.

O prefeito então, aborrecido e furioso, deu ordens para outros algozes trancarem Santa Cecília no balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali, ela seria asfixiada pelos vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguia ficar ali por mais de alguns minutos. Era morte certa.

Porém, para surpresa de todos, milagrosamente ela foi protegida e nada lhe aconteceu. Todos ficavam impressionados com a fé daquela jovem, frágil, que enfrentava a morte sem receio por causa da grande fé que tinha em seu coração. Mas o prefeito, irredutível, mandou que ela fosse morta com três golpes de machado em seu pescoço.

O algoz obedeceu, mas não conseguiu arrancar sua cabeça, coisa que ele estava acostumado a fazer com apenas uma machadada. Santa Cecília permaneceu viva ainda por 3 dias, conversando e dando conselhos a todos que corriam para vê-la e rezar por ela.

Martírio de Santa Cecília

Por fim, pressentindo sua morte iminente, Santa Cecília pediu para o Papa entregar todos os seus bens aos pobres e transformar sua casa numa igreja. Antes de sua morte, em seus últimos momentos neste mundo, sentindo que sua missão estava cumprida mesmo ela sendo ainda tão jovem, Cecília conseguiu cantar louvando a Deus, cantando as maravilhas de Deus.

Por isso, ela é a padroeira dos músicos e da música sacra. Depois disso, a fisicamente frágil e interiormente forte jovem romana que desafiou os poderes deste mundo, entregou seu espírito ao Pai Celestial. Após sua morte ela foi sepultada pelos cristãos na catacumba de São Calisto e desde então passou a ser venerada como mártir.

Descoberta do túmulo de Santa Cecília

O túmulo de Santa Cecília ficou desaparecido por muitos séculos. No século IX, Santa Cecília apareceu ao Papa Pascoal l (817-824). Logo após este fato, seu túmulo foi encontrado e lá estava o caixão com as relíquias da Santa.

O corpo dela estava intacto, na mesma posição em que ela foi enterrada. Ao lado da Santa estavam também os corpos de Valeriano e Tiburcio. No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati mandou abrir o tumulo de Santa Cecília, e seu corpo foi encontrado na mesma posição que estava quando o Papa Pascoal l a encontrou. Sua festa é celebrada em 22 de novembro, dia dos músicos e da música.

Oração a Santa Cecília

Ó Virgem e mártir, Santa Cecília, pela fé viva que vos animou desde a infância, tornando-vos tão agradável a Deus e ao próximo, merecendo a coroa do martírio, convertendo pagãos ao cristianismo, alcançai-nos a graça de progredir cada vez mais na fé e professá-la através do testemunho das boas obras, especialmente servindo aos irmãos necessitados. Alcançai-nos também a graça de sempre louvar a Deus com canções espirituais.

Gloriosa Santa Cecília, que os vossos exemplos de fé e virtude sejam para todos nós um brado de alerta, para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus, na prosperidade como nas provações, no caminho do céu e da salvação eterna. 

Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas, rogai por nós. 

Amém.

Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-cecilia/68/102/

20 de novembro – Zumbi dos Palmares

nov 15 2020

20 de novembro – Zumbi dos Palmares

 


Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial.

Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695. 

 

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

 

Fonte: https://www.sohistoria.com.br/ef2/culturaafro/

18 de novembro – Santa Hilda de Whitby

nov 13 2020

18 de novembro – Santa Hilda de Whitby – Mãe e mestra dos ingleses

“A perseguição e as tristezas sofridas desde a mais tenra infância tornaram sua alma forte e audaz, mas sem brutalidade; sábia, sem a mancha da soberba, e dotaram-na de um coração caridoso para com os seus”. 

   Ao contemplarmos as paredes semiderruídas da famosa Abadia de Whitby, na Inglaterra, vêm-nos à memória as palavras que escreveu Dr. Plinio Corrêa de Oliveira como epígrafe de sua vida: “Quando ainda muito jovem, considerei enlevado as ruínas da Cristandade, a elas entreguei o meu coração, voltei as costas ao meu futuro, e fiz daquele passado carregado de bênçãos o meu porvir.”[1]

Com efeito, a grandeza nobre, altaneira e silenciosa deste edifício severamente castigado pelo correr dos séculos parece sussurrar-nos no fundo do coração a presença de “um passado carregado de bênçãos”. E entre os exemplos de virtude que marcaram de modo indelével o antigo centro monástico encontra-se a personalidade possante de Santa Hilda.

Modelo de mulher forte, enérgica, cheia de sabedoria profética, consultada como oráculo pelos mais entendidos e ouvida pelos mais poderosos, ela fez jus ao seu nome, que em diversas línguas significa “batalha”, “a heroína” ou “a mulher guerreira”.[2] Mas ela foi, ao mesmo tempo, mãe e guia espiritual numa sociedade em que a lei da força imperava nos costumes.
Santa Hilda de Whitby, por Archibald Keightley Nicholson –
Bradford (Inglaterra)

Luz ocultada pela sombra da perseguição

Pelos relatos de São Beda, o Venerável, sabemos que Hilda nasceu no ano de 614, filha do príncipe Hererico de Deira, primitivo reino localizado no nordeste da atual Inglaterra, e de sua esposa, Bregusvita.

O nobre casal fora obrigado a fugir da ferocidade de Etelfrido, governante do reino vizinho da Bernícia, que depois de usurpar o trono, como soia acontecer entre aqueles povos “amantes do poder obtido pela violência”,[3] procurava exterminar os legítimos herdeiros. Em consequência, Hererico refugiou-se em Elmet, pequeno reino situado no atual condado de Yorkshire.

A missão das almas providenciais se inicia muitas vezes no ventre materno, e assim sucedeu com nossa Santa. Certa noite, Bregusvita sonhou que seu marido lhe tinha sido arrebatado de modo repentino e, embora ela o procurasse com afinco, não achava o mínimo rastro. Cansada e aflita após ansiosa busca, encontrou um belo colar sob suas vestimentas, o qual pareceu-lhe brilhar com um tal resplendor que iluminava todo o país.[4]

De fato, algum tempo depois Hererico foi traiçoeiramente envenenado na corte de Elmet por agentes de Etelfrido, e Hilda veio ao mundo já órfã. Seus primeiros anos se passariam à sombra da perseguição, aguardando o momento em que sua luz pudesse iluminar a terra.

Infância no exílio

A infância de Hilda transcorreu no paganismo. Naqueles primórdios do século VII, a ilha que hoje conhecemos como Inglaterra estava colonizada pelos anglos, saxões e jutos. Cada um desses povos seguia suas próprias práticas e crenças religiosas. Entretanto, havia no sul alguns reinos recentemente cristianizados, e a vizinha Irlanda era já uma “terra de santos”.

Decerto ouviu a menina narrar as devastações que Etelfrido perpetuava contra os herdeiros do trono de Deira, as penúrias e dificuldades que seu tio-avô, Eduíno, exilado no Reino da Ânglia Oriental, suportava para fugir de um assassinato iminente e até a narração de certo acontecimento misterioso por meio do qual esse seu parente recebera a promessa de um futuro auspicioso para a família.

 

O Rei Eduíno, por Henry Victor Milner – Sledmere (Inglaterra)

Pagão como todos os seus, Eduíno conhecera por visão a existência de um único Deus, a quem deveria servir. Apresentara-se-lhe um varão coberto de chagas e coroado de espinhos, mas luminoso, que prometia livrá-lo das angústias que sofria, combatendo contra os seus inimigos; garantia-lhe a coroa que por direito e justiça lhe pertencia nesta terra e uma outra coroa, imperecível, após a morte.

De fato, Etelfrido foi derrotado e morto contra todo prognóstico pelo rei da Ânglia Oriental, o qual instalou Eduíno no governo da Nortúmbria, reino formado pela união entre Deira e Bernícia. Todos os seus familiares, entre os quais a pequena Hilda, puderam então retornar do degredo.

Forte sem brutalidade, sábia sem soberba

Algum tempo depois, Eduíno contraiu núpcias com Santa Etelburga, princesa de Kent. Foi ela o instrumento escolhido por Deus para fazer a luz da Fé brilhar naquelas terras. A futura rainha levou consigo São Paulino, enviado de Roma nas chamadas missões gregorianas, e este foi aos poucos evangelizando o Rei Eduíno e a nobreza nortumbriana. Na Páscoa do ano 627, o monarca recebeu, junto com toda a corte, o Sacramento do Batismo.

Após seis anos de florescente reinado, Eduíno recebeu a coroa de glória imperecível que lhe fora prometida: dois governantes pagãos de outros reinos da Grã-Bretanha, Cadwallon da Venedócia e Penda da Mercia, invadiram a Nortúmbria, matando o rei em campo de batalha e destruindo a paz que Cristo havia feito triunfar na região.

Uma vez mais fugindo da morte, Hilda refugiou-se na corte de Kent, acompanhando Santa Etelburga. Durante este período os horrores da guerra, a perseguição e as tristezas do exílio foram os instrumentos utilizados por Deus para modelar sua alma, tornando-a forte e audaz, mas sem brutalidade, sábia, sem a mancha da soberba, e dotando-a de um coração tão caridoso que “todos aqueles que a conheceram chamavam-na de mãe por sua singular graça e piedade”.[5]

Santo Aidano se instala na Nortúmbria

Nesse meio tempo, Deus trabalhava de modo invisível os acontecimentos a fim de preparar para Si um reino de Anjos na terra dos anglos, tal como o grande São Gregório vislumbrara: “Non angli, sed angeli si cristiani”, teria afirmado o Pontífice ao contemplar membros desse povo em Roma pela primeira vez.

Ao saber da morte de Eduíno e que a coroa nortumbriana fora usurpada por Cadwallon, Osvaldo, filho do Rei Etelfrido, formou um pequeno exército e, confiando na ajuda de Deus, marchou contra os invasores e os derrotou. Assumindo o trono como rei legítimo, fez voltar à Nortúmbria os nobres exilados. Hilda era já uma jovem de vinte e um anos.

Anos antes, quando Oswaldo fugiu para a Escócia com sua mãe e seus irmãos, a família inteira convertera-se à Fé católica e a educação das crianças foi confiada aos beneditinos do Mosteiro de Iona, fundado por São Columbano. Tendo-se tornado ali um fervoroso católico, a primeira providência do novo monarca foi pedir o auxílio dos monges dessa abadia para evangelização do reino, pois o povo havia abandonado o cristianismo durante o domínio pagão.

Foi assim que o monge irlandês Santo Aidano e alguns companheiros da famosa abadia escocesa vieram para a Nortúmbria e fundaram um mosteiro na Ilha de Lindisfarne, que seria o foco da evangelização de todo o norte da Inglaterra. O próprio rei servia-lhes como intérprete, uma vez que este santo beneditino conhecia pouco do inglês, e juntos percorreram as vastidões do reino pregando, batizando e denunciando os vícios que imperavam na sociedade.

Santo Aidano “nunca ensinava nada que ele próprio não praticava”.[6] Com seu exemplo atraiu para a santidade numerosas almas, entre elas a de Hilda, que logo se sentiu atraída pela força de sua personalidade.

Nova abadessa de Hartlepool

Convivendo de perto com o santo varão e admirando sua virtude, comprovada em todos os ambientes, “Hilda decidiu servir só a Deus na vida religiosa”.[7] Não havia, entretanto, nenhum mosteiro no reino onde ela pudesse ingressar, e por isso pensou em imitar sua irmã, que morava no convento de Chelles, na França.

A tradição conta que ela ficou um ano preparando-se para o passo que daria; contudo, Santo Aidano enviou-lhe uma mensagem indicando que sua vocação não se cumpriria na felix Francia, mas na turbulenta Nortúmbria… Sem duvidar um instante, Hilda renunciou ao propósito cultivado ao longo de meses e colocou-se à disposição de seu diretor. Contava trinta e três anos de idade à época.

Reza o velho adágio que “nada de grande se faz de repente”, e no plano espiritual esta verdade se verifica de modo eminente: o início da vida religiosa de Hilda foi tão modesto que nem mesmo o nome de seu primeiro mosteiro passou para a História. Sabe-se somente que Santo Aidano proveu-lhe um terreno onde, numa pequena construção, abraçou a disciplina religiosa juntamente com algumas companheiras.

Aos poucos, cativadas pela perseverança e pelo exemplo de amor a Deus que emanava do pequeno mosteiro, muitas outras jovens decidiram seguir o caminho de perfeição encetado por Santa Hilda. Tempos depois, Santo Aidano transferiu as religiosas para um mosteiro em Hartlepool, cuja abadessa era Santa Bega.

Também de origem principesca, esta Santa irlandesa tornou-se grande amiga de Hilda, a qual muito aprendeu com ela sobre a vida consagrada. Entretanto, logo ficou claro que a vocação de Santa Bega era de um teor mais contemplativo e austero. Por isso, partiu ela para uma ermida, deixando Hilda como abadessa do mosteiro.

Whitby, fruto de uma promessa

Enquanto Hilda progredia exercendo com sabedoria o cargo de abadessa, a Nortúmbria era atormentada mais uma vez pela guerra, agora, tristemente, entre reis católicos.

Com a morte de Osvaldo o reino novamente se dividiu, ficando seu irmão Osvio detentor do poder em Bernícia – onde se encontrava o mosteiro de Hilda –, enquanto Osvino, primo de Eduíno, se tornava rei de Deira, onde Santo Aidano desenvolvia florescente missão apostólica.

Ora, a propósito de um desentendimento entre os dois soberanos, Osvio enviou emissários para matar secretamente Osvino. A notícia de que um rei batizado fora o fautor de tal crime resultou demasiado cruel para Santo Aidano, que veio a falecer onze dias depois do monarca. Hilda perdeu assim seu guia e conselheiro. No entanto, ela soube oferecer com resignação este sacrifício que a Providência lhe pedia. Do holocausto de seu amor filial surgiria o mais valioso legado de sua obra.

O Rei Osvio, vendo-se ameaçado pelo feroz pagão Penda, ofereceu a Deus doze terrenos para a fundação de mosteiros em reparação pelo seu pecado, e prometeu consagrar-Lhe a vida de sua pequena filha, Eanfleda. Enfrentando um exército trinta vezes superior ao seu, Osvio saiu vitorioso.

Fruto dessa promessa foi a Abadia de Whitby, da qual Santa Hilda se tornou abadessa e na qual passou a morar a pequena princesa, de apenas um ano de idade.

Whitby logo se tornou o centro da Cristandade na Grã-Bretanha. A comunidade se compunha de monges e freiras, com dependências separadas para os dormitórios e um único ponto comum, a igreja.

Havia também uma completa separação entre o noviciado e a abadia. Manter a vida comunitária entre pessoas dotadas de caráter tão independente e bélico requeria uma prévia purificação das mentalidades e costumes dos futuros monges. Santa Hilda o conseguiu de tal forma que “aqueles que saíam de seu mosteiro para servir às almas eram pessoas excepcionalmente equilibradas”.[8]

Uma renúncia amorosa e obediente

No ano 664, uma discrepância com relação à festa da Páscoa, celebrada em datas diferentes pelos cristãos adeptos das tradições celtas e os que seguiam os costumes de Roma, levou o Rei Osvio a convocar um sínodo na Abadia de Whitby.

As tradições cristãs celtas, fruto do apostolado fecundo de São Patrício e São Columba, foram trazidas à Nortúmbria pelos monges de Iona. Os partidários destas tradições afirmavam que a Páscoa era celebrada por eles na mesma data em que, segundo acreditavam, o próprio São João Evangelista o fizera. Outros, porém, reputavam indispensável adotar o calendário da Igreja de Roma, uma vez que somente ali se encontrava o poder das chaves.

Tal argumento em favor da prerrogativa do poder papal era irrefutável, e nenhum dos presentes se opunha à autoridade do Sumo Pontífice. Assim, ao final do sínodo, o Rei Osvio tomou a decisão de adotar os costumes romanos, e isso implicou também em mudanças na estrutura eclesiástica da Nortúmbria.

Mesmo amando até o fundo da alma os costumes celtas, Santa Hilda não se opôs às novas determinações, acatando-as com verdadeira humildade e obediência. No entanto, causou-lhe sofrimento o fato de os monges de Iona, descontentes com o resultado do sínodo, terem retornado para a Escócia.

Magnânima até na hora da morte

Antes de Santa Hilda finalizar sua longa caminhada terrena, aprouve a Deus enviar-lhe uma última purificação pela qual “sua virtude seria aperfeiçoada na fraqueza”.[9] Ao longo de seis anos, sofreu ela de uma doença que lhe produzia terríveis febres. Entretanto, nem por um momento deixou-se abater pelas penas que sofria, e mesmo em seu leito de dores administrou e dirigiu os assuntos da Abadia e do recém-fundado mosteiro de Hackness com toda diligência.

Por fim, na noite de 17 de novembro do ano 680, após receber o Viático, Santa Hilda passou para a eternidade na alegria do dever cumprido. Sua morte foi presenciada só por alguns, mas conhecida misticamente nas dependências do noviciado, onde uma religiosa que a amava profundamente ouviu sinos tocarem no meio da noite e viu sua mãe espiritual entrando no Céu. Também Santa Bega teve uma visão da nobre amiga sendo levada em glória pelos Anjos para o Paraíso.[10]

A piedade e a tradição locais recordam diversos milagres operados pela intercessão de Santa Hilda. Entre os mais conhecidos está a petrificação de venenosas víboras que infestaram as proximidades da abadia quando da sua fundação.

Cem anos após sua morte, bárbaros dinamarqueses invadiram a Nortúmbria e destruíram a antiga abadia. E, depois de dois séculos de silêncio, os cânticos voltaram a ressoar novamente no lugar, na nova abadia beneditina ali erigida em honra a São Pedro. São ruínas desse prédio, cuja construção terminou nas primeiras décadas do século XX.

A abadia de Whitby foi um dos primeiros centros monásticos fechados por ordem de Henrique VIII, em 1540. O tempo a tornou um edifício em ruínas, mas suas paredes ainda serviam como ponto de orientação para os navegantes. Durante a Primeira Guerra Mundial foi bombardeada pelo exército alemão, e hoje só restam em pé algumas paredes. Porém, o nome de Hilda, guerreira e mãe da Cristandade anglo-saxã, consta como tal no Livro da Vida do Cordeiro e com Ele brilhará por toda a eternidade. 

 

 

Notas

[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Meio século de epopeia anticomunista. São Paulo: Vera Cruz, 1980.
[2] Cf. BROWN, H. E. For God Alone. Phoenix: Leonine Publishers, 2016, p. 2.
[3] SIMPSON, Ray. Hilda of Whitby. A spirituality for now. Abingdon: The Bible Reading Fellowship, 2014, p.9.
[4] SÃO BEDA, O VENERÁVEL. The Ecclesiastical History of the English Nation. Oxford-London: James Parker and co., 1870, L.IV, c.23, p.345-346.
[5] Idem, p.345.
[6] O.S.B, op. cit., p.7.
[7] BROWN, op. cit., p.3.
[8] ELLISON, Clare. Saint Hilda of Whitby. Farnworth: The Catholic Printing Company, 1964, p.9.
[9] SÃO BEDA, O VENERÁVEL, op. cit., p.346.
[10] Cf. SÃO BEDA, O VENERÁVEL, op. cit., p.346-347.

Fonte: https://revistacatolica.com.br/santa-hilda-de-whitby-mae-e-mestra-dos-ingleses/

 

16 de novembro Santa Margarida da Escócia

nov 12 2020

16 de novembro Santa Margarida da Escócia

Neste dia, lembramos, com carinho, da vida de mais uma irmã nossa que, para a Igreja militante, brilha como exemplo e, no Céu, como intercessora de todos nós, pecadores, chamados à santidade.

Santa Margarida nasceu na Hungria, no ano de 1046, isso quando seu pai Eduardo III (de nobre família inglesa) ali vivia exilado, devido aos conflitos pelo trono da Inglaterra (o rei da Dinamarca ocupara o trono inglês). Em 1054, seu pai retornou à Inglaterra, Margarida tinha portanto oito ou nove anos quando conheceu a pátria inglesa. No entanto, após a morte de seu tio-avô, Santo Eduardo, em 1066, recomeçaram os conflitos: a luta entre Haroldo e Guilherme da Normandia obrigou Edgardo, irmão de Margarida, a refugiar-se novamente na Escócia com a mãe e as irmãs, tendo-lhes o pai morrido alguns anos antes.

Vivendo na Escócia, Margarida casou-se com o rei Malcom III e buscou com os oito filhos (seis príncipes e duas princesas, uma delas chamada Edite, que veio posteriormente a ser rainha da Inglaterra e conhecida com o nome de Santa Matilde) a graça de constituir uma verdadeira Igreja doméstica. Santa Margarida, como rainha da Escócia, procurou cooperar com o rei, tanto no seu aperfeiçoamento humano (pois de rude passou a doce) quanto na administração do reino (porque baniu todas futilidades e aproximou os bens reais das necessidades dos pobres).

Conta-se que a própria Santa Margarida alimentava e servia diariamente mais de cem pobres, ao ponto de lavar os pés e beijar as chagas daqueles que eram vistos e tratados por ela como irmãos e presença de Cristo. Quando, infelizmente, seu esposo e filho morreram num assalto ao castelo, Margarida, que tanto os amava, não se desesperou, e sim aceitou e entregou tudo a Deus rezando: “Agradeço, ó Deus, porque me dás a paciência para suportar tantas desgraças!”.

Santa Margarida entrou no Céu a 16 de novembro de 1093. Foi sepultada na igreja da Santíssima Trindade, em Dunfermline, para onde também o corpo do rei Malcom III foi levado mais tarde.

Santa Margarida da Escócia, rogai por nós!

 

Fonte: https://santo.cancaonova.com/santo/santa-margarida-da-escocia-intercessora-dos-pecadores/